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Segurado mata perito do INSS! De quem é a culpa?

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Published on May 30, 2007

Como podemos ver neste vídeo, após o assassinato do médico José Rodrigues de Souza, perito do INSS, por um segurado descontente com o resultado da perícia, o governo gastará R$ 30 milhões para equipar com detectores de metais as agências do INSS. Nada se disse sobre rever os torturantes conceitos de incapacidade que a instituição está usando para conceder benefícios e que provavelmente foram uma das verdadeiras causas da morte do perito.

O segurado descontente que matou o perito se chamava Manoel Rodrigues e era gari da prefeitura da cidade de Patrocínio no Estado de Minas Gerais. Em depoimento ele alegou que sofria de depressão e alcoolismo - doenças incapacitantes - e que tentava há cinco anos conseguir um benefício pelo INSS.

Assumindo que o gari Manoel Rodrigues tivesse ganhos de dois salários mínimos por mês e aos cinqüenta anos de idade tivesse espectativa de viver mais 25 anos (estimando por alto), no restante de sua vida como aposentado por invalidez ele iria receber do INSS os seguintes valores:

380 x 2 = 760 reais por mês.

760 x 13 = 9880 reais por ano.

9880 x 25 = 247000 reais em 25 anos.

R$ 30 milhões / 247000 ~= 121

Como se vê na linha acima, com os R$ 30 milhões que serão gastos apressadamente agora em detectores de metais para as agências da Previdência Social, seria possível pagar aposentadorias por invalidez para 121 alcoólatras depressivos incuráveis durante 25 anos!

Se considerarmos que alcoólatras depressivos incuráveis têm uma expectativa de vida inferior à média da população (cirrose, suicídio, assassinato, etc), os R$ 30 milhões que serão gastos agora em detectores de metais talvez pagassem aposentadorias por invalidez para mais de 500 alcoólatras depressivos incuráveis até o fim de suas vidas, com a vantagem de que o INSS não teria que dispor do valor total imediatamente e sim ao longo de vários anos. Recebendo sua pinguinha todos os meses, seria muito mais provável que tais indivíduos metessem uma bala na própria cabeça do que na cabeça de um perito do INSS. E talvez agora, se considerado inimputável e encarcerado para o resto da vida (como medida de segurança), o ex-gari Manuel Rodrigues custe mais aos cofres públicos do que o valor da aposentadoria que receberia.

Por outro lado, a adoção de critérios menos torturantes para concessão de benefícios por incapacidade levaria a uma melhor distribuição de renda na sociedade (fator ligado à violência), pois alcoólatras depressivos de baixa renda, como Manuel Rodrigues, tendem a gastar quase tudo o que ganham no bairro onde moram, movimentando a economia local, destino diverso de boa parte dos R$ 30 milhões que serão gastos em detectores de metais, dado que os fabricantes de tais equipamentos tendem a fazer uso de mão de obra terceirizada ou usar componentes importados sempre que possível, práticas que concentram renda ou geram renda para trabalhadores de outros países.

Quanto ao suposto aumento da segurança no trabalho para os peritos do INSS, o que se cogita que tais detectores de metais pudessem trazer, ele é irrisório quando comparado ao aumento da segurança que uma melhor distribuição de renda traria, pois pessoas contentes tem menor propensão à violência e um segurado disposto a matar um perito, sabendo da existência de detectores de metais nas agências do INSS, simplesmente atacaria o perito em qualquer esquina ou semáforo quando este saísse do trabalho.

Isto posto, torna-se evidente que um verdadeiro aumento da segurança que medidas na área previdenciária possam trazer, não só para os peritos do INSS, mas para toda a sociedade, não será conseguido com simples detectores de metais, mas sim com a revisão dos critérios torturantes que o INSS está usando para conceder benefícios por incapacidade.

A solidariedade é um compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas. Uma sociedade solidária constitui uma unidade sólida, capaz de oferecer resistência às forças externas e, até mesmo, de se tornar mais firme ainda em face da oposição procedente de fora. Um homem sozinho é um animal fraco se comparado a outros predadores naturais e poderia ser facilmente extinto nos primórdios da civilização se não agisse de forma solidária. Logo, foi a solidariedade um dos fatores que mais nos ajudaram a vencer as adversidades do meio e chegar à sociedade moderna. A solidariedade é um dos valores humanos que mais influenciaram na criação dos sistemas de previdência social, e estes sistemas de previdência são o meio mais efetivo pelo qual a sociedade moderna manifesta sua solidariedade.

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