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IMAGENS INÉDITAS MOSTRAM JOVEM AO SER DETIDO, ALGEMADO E JOGADO DE TELHADO POR PM DE SP

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Published on Sep 19, 2015

Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, e Fernando Henrique da Silva (o rapaz detido no telhado), 23, foram mortos a tiros por PMs dos 23º e 16º batalhões, na tarde de 7 de setembro.

Imagens gravadas com um telefone celular e obtidas pelas Ponte Jornalismo mostram que o rapaz, assim como o amigo Paulo, foi rendido pela Polícia Militar antes de ser morto com quatro tiros (abdômen, lombar, virilha e mão esquerda, o que indica tentativa de defesa).

Fernando da Silva foi detido por um PM da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) em um telhado e, depois de ser totalmente dominado e algemado, foi jogado de uma altura de oito metros. Após a queda de Fernando, é possível ouvir o barulho de quatro tiros (aos 2min.4seg. da gravação; 2:16; 2:37 e 2:56).

Na versão desmontada pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, os PMs Flavio Lapiana de Lima e Fabio Gambale da Silva, ambos com 33 anos de idade e da 4ª Companhia do 16º Batalhão da PM, tentaram explicar assim a morte de Fernando da Silva:

“Na rua Maria Burgueta Marcondes Pestana, nº xx, os militares foram informados pela moradora que um indivíduo [Fernando Silva] havia entrado na residência. Os militares [Lapiana e Gambale] entraram na casa e, neste momento, o indivíduo, vindo da casa vizinha, pulou no quintal da casa onde os policiais militares estavam. O indivíduo disparou em direção ao policial Lapiana. Os policiais foram obrigados a disparar contra o indivíduo.”

Os PMs Lapiana e Gambale também disseram à Polícia Civil que Fernando da Silva usou uma pistola 9mm para atirar contra ambos, mas os investigadores sabem que a arma foi plantada junto ao corpo do rapaz da mesma maneira como outros PMs foram filmados fazendo com Paulo Oliveira, morto perto da lixeira onde havia se escondido.

Além de Lapiana e Gambale, também foram presos pela farsa na morte de Fernando da Silva os PMs Angelo Felipe Mancini, Paulo Eduardo de Almeida Hespanhol, Samuel Paes e João Maria Bento Xavier.

À polícia, a moradora da casa onde Fernando Silva foi morto disse que não viu a ação dos PMs e que apenas ouviu os tiros em sua propriedade.

Na sexta-feira (11/09), cinco PMs foram presos após a revelação de imagens de câmeras de segurança que mostraram que Paulo Oliveira, 23 anos, amigo de Fernando da Silva, morto quando também estava rendido. O rapaz se rendeu após ter se escondido em uma lixeira comunitária.

Pela versão que apresentaram à Polícia Civil, os PMs Tyson Oliveira Bastante, 26 anos, e Silvano Clayton dos Reis, 31, ambos da 3 Companhia do 23 Batalhão da PM, assumiram ter atirado contra Paulo Henrique. Outros três PMs que deram cobertura aos dois _Mariani de Moraes Figueiredo, Silvio André Conceição e Jackson Silva Lima_ também estão presos.

Paulo Oliveira e Fernando da Silva, segundo os PMs envolvidos em suas mortes, eram perseguidos porque eram suspeitos de tentar roubar uma moto. Ao ser interrogado pela polícia, o dono da moto disse que os dois jovens não estavam com armas de fogo. Os jovens estavam com uma faca.

Os PMs envolvidos na perseguição, captura e morte de Paulo Oliveira e Fernando Silva também disseram à Polícia Civil que os dois chegaram a atirar contra carros da Polícia Militar durante a fuga, mas um homem que teve seu carro atingido por uma leve batida durante a perseguição disse não ter visto se os jovens atiraram na direção dos PMs. O motorista disse apenas ter visto a moto com os dois rapazes, na contramão da rodovia Raposo Tavares, e um carro da PM atrás deles.

Depois de atirar contra Paulo Oliveira, um PM vai até um carro da polícia, pega uma pistola no banco traseiro, aciona o rádio para comunicar a central da corporação sobre um tiroteio e volta até o corpo do jovem, onde coloca a arma retirada de dentro do veículo.

Pela versão que apresentaram à Polícia Civil, os PMs Tyson Oliveira Bastiane, 26 anos, e Silvano Clayton dos Reis, 31, ambos da 3 Companhia do 23 Batalhão da PM, assumiram ter atirado contra Paulo Henrique.

Ao todo, 11 PMs estão presos pelas mortes de Fernando da Silva e Paulo Henrique.

Por André Caramante
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