Loading...

São João de Braga 2008

23,651 views

Loading...

Loading...

Loading...

Rating is available when the video has been rented.
This feature is not available right now. Please try again later.
Uploaded on Jun 24, 2008

Cidade vive a noite sanjoanina com muitos cânticos e danças da alma popular.

Uma das mais genuínas exteriorizações da alma minhota sai hoje à rua. As festas de S. João estão aí, por muitos lugares do Minho, com destaque para as de Braga, com a multidão a deixar-se afogar, alegremente, na noite mais longa do ano.

Hoje, um pouco por todo o norte do país vivem-se as festas do seu santo popular. O S. João convida cidades, vilas e até aldeias para a folia popular, onde pode haver motivos de queixa, excepto de falta de alegria, cor, barulho e banhos de multidão. Rivalizando com o Porto, a cidade de Braga recebe esta noite um "formigueiro" humano, num rodopio centrado em três artérias principais: Avenida Central, Parque da Ponte e Largo do Pópulo.

Na velha Bracara Augusta, a tertúlia mistura-se com o tradicional ambiente dos cânticos e dançares minhotos, onde, logo pela manhã, bandas filarmónicas, grupos de zés-pereiras, bombos, gaiteiros, gigantones e cabeçudos, grupos folclóricos, tocatas e rusgas anunciam a grande festa de arromba do S. João.

Um dos grandes momentos sanjoaninos tem lugar, ao principio da noite, com o tradicional cortejo das rusgas, considerado um momento ímpar, para apreciar a riqueza do traje e a beleza das danças e cantares do povo. Trata-se, sem dúvida, da única manifestação genuinamente popular de cor e alegria exuberante que se realiza em Portugal. Ao todo, serão cerca de 100 grupos e mais de mil figurantes naquela que é já a noite mais longa do ano.

Para os estômagos famintos quase a pedirem pelos "santinhos" sardinhas do S. João (e muito vinho verde), o Parque da Ponte, como manda a tradição, oferece uma oferta variada de barracas, onde não faltam também outros pratos típicos da região, como bacalhau, cabrito e a posta de carne.

Em 1750, no Campo da Vinha, foi criado um cerco de trincheiras onde no meio foi instalada uma cozinha. Um boi inteiro recheado com enchidos, galinhas e coelhos foi cozinhado por um cozinheiro estrangeiro criado no Porto. No cerco, existia ainda um chafariz de onde brotava vinho. A um canto estavam prateleiras com utensílios de barro vindos de Prado, no outro havia pães de trigo e no meio a enorme mesa.

Cada pessoa tinha direito a um prato de carne, vinho e um pão de trigo. Dizem os relatos que "se gastou muito dinheiro" e que a festa durou até o boi acabar. Uma bandeira com a imagem de S. João de um lado e com as armas do juiz do outro, sinalizava os interessados do banquete. Três grandes fogueiras eram acesas na antiga Praça dos Touros, actual Praça do Município.

No ano de 1901, a corrida do porco preto marcou o S. João bracarense. Quando a cidade estava rodeada de um matagal, os cavaleiros tinham, por hábito, correr atrás dos javalis que iam povoando os arredores da cidade, num local onde hoje está situado o Campo de S. João. Com o crescimento de Braga, o mato foi dando lugar às pessoas e os javalis foram desaparecendo. Mas para não acabar com a tradição, o mesário das festas ficava encarregue de engordar um porco preto durante o ano. No dia 24, no Monte Picoto, o porco era solto e perseguido pelos cavaleiros que o encaminhavam para o rio, onde era recebido pelos populares: havia os que incitavam o porco a atravessar o rio e havia os que tentavam impedir que tal acontecem. O motivo era simples: se passasse para a outra margem, o porco era degustado pelos moleiros, se não passasse o banquete era para os forasteiros. Os cavaleiros eram depois presenteados com cestas com frutas elaboradas pelas namoradas ou pelas mães.

Um comerciante, de seu nome Carvalho chegou a presidente da comissão de festas. A primeira decisão que tomou foi acabar com venda e o uso do alho porro. É que os martelos de plástico estavam a dar os primeiros passos nos festejos e o comerciante viu aí, uma excelente oportunidade de negócio.

Recentemente, uma enxurrada levou os Santos do Rio Este pela água abaixo. O que as pessoas não sabem é que no passado já situação idêntica havia sido experimentada. A situação mais grave ocorreu em Junho de 1779, quando 30 pessoas morreram afogadas. Umas alminhas perto do Parque da Ponte está lá para lembrar a tragédia.

2008-06-22
magalhaes costa

Loading...

When autoplay is enabled, a suggested video will automatically play next.

Up next


to add this to Watch Later

Add to

Loading playlists...