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Dentro é lugar longe I Trupe Sinhá Zózima I Teatro no ônibus

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Published on Dec 21, 2013

A peça Dentro é lugar longe, com dramaturgia de Rudinei Borges e encenação de Anderson Maurício, foi escrita a partir de história oral dos artistas-pesquisadores da Trupe Sinhá Zózima. A tessitura dramatúrgica é perpassada, sobretudo, por memórias da infância dos narradores, em que lembranças de nascimento e morte são contadas compondo a metáfora da vida como estirada, estrada longa. A vida é desvelada como viagem, caminhada das distâncias, num itinerário em que malas vazias e abarrotadas são carregadas como presentificação de conquistas e de pelejas. A encenação em um ônibus em movimento, característica singular do grupo, potencializa a ideia de viagem, partida que ao mesmo tempo é chegada.

É significativo que os narradores da peça sejam cinco meninos, todos diante do chão imenso. Neste sentido, a palavra na dramaturgia e na encenação é um artesanato poético, conjunção de vozes tantas, em que tempo e espaço são reinventados à mercê do jogo de narração estabelecido pelos meninos. Com isso, é difícil dizer, com alguma certeza, se está no passado ou no presente o fato narrado. Se estamos no espaço evocado pela memória ou se somos passageiros duma andança sem destino certeiro. Entretanto, é possível perceber logo de imediato, que é a lembrança a matéria árdua que compõem "Dentro é lugar longe". Já no início da peça, a Menina de cabelos negros longos diz, meio à cantoria: "a gente vive para contar". Ou seja, contar é o modo que o ser humano criou de partilhar suas lembranças. "A gente vive para contar o que fez: não fez: o que viu: não viu: a gente vive para acocorar os pés sobre o chão e andar por azinhagas", diz a menina.

A opção pela história oral levou o grupo a um roteiro de ações que norteou o processo de criação da peça. Os trabalhos iniciaram com uma oficina, coordenada pelo Núcleo de Estudos em História Oral da Universidade de São Paulo (NEHO). Depois foi escolhido um recorte para a composição do texto: narrativas de vida dos artistas que integram a Trupe. Estas narrativas foram registradas em setembro de 2012, numa chácara nos arredores da cidade de São Paulo. Ali, lembranças foram narradas em 24h ininterruptas, duma madrugada à outra, da alvorada à noite. O tempo foi reinventado em ofícios: da alvorada, da manhã, do meio dia, da tarde, do entardecer, da noite, da meia noite e da madrugada. Cada ofício foi vivenciado numa parte da casa da chácara: sótão, quintal, cozinha, rua, sala, quarto, cabana e porão. As narrativas todas foram gravadas, transcritas, textualizadas e transcriadas até que chegassem às mãos do dramaturgo para que, mediante exercícios cênicos, se tornassem dramaturgia. Até que ganhasse corpo a peça e, numa decisão coletiva, fosse batizada de "Dentro é lugar longe", frase-viva fincada no coração do texto.

O caráter coletivo da montagem foi marcado por intenso diálogo entre encenador e dramaturgo. E explicita um novo momento na pesquisa da Trupe Sinhá Zózima: o desejo de compor uma dramaturgia própria, que dialogue com a realização cênica do grupo em ônibus. A encenação da peça acarreta meia década de pesquisa continuada, ação sagaz e peculiar no panorama do teatro de grupo da cidade de São Paulo e do Brasil. "Dentro é lugar longe" é o chamamento para um teatro que manifesta a completude da ação cênica no ordinário da existência humana. E é exatamente nesta ação de se debruçar sobre o corpus da vida ordinária que o ser humano lembra o que foi (e é) e se dispõe a narrar. São as coisas simples, movidas pelo tempo presente, que reavivam as lembranças do passado. Neste reavivar, pouco importa se são verdadeiras ou imaginadas as lembranças, porque, neste caso, -- como afirma Manoel de Barros -- só 10% é mentira, o resto é invenção. "Dentro é lugar longe" é invenção-reinvenção da vida vivida/não vivida.

Categoria: Drama Lírico
Duração: 75 minutos
Público por apresentação: 28 passageiros
Classificação: Livre
Dramaturgia -- Rudinei Borges
Direção -- Anderson Maurício
Atores -- Alessandra Della Santa, Junior Docini, Maria Alencar, Priscila Reis e Tatiane Lustoza Direção musical -- Junior Docini e Priscila Reis
Cenário e figurino -- Anderson Maurício e Maria Alencar
Costureira -- Maria das Dores
Iluminação -- Anderson Maurício e Otávio Dias
Produção -- Thais Polimeni
Assistente de Produção -- Maria Alencar
Documentarista -- Luciana Ramin
Fotografia -- Christiane Forcinito e Danilo Dantas
Redação -- Rudinei Borges
Desing Gráfico -- Deborah Erê
Webmaster -- Danilo Peres
Orientação na confecção das malas cênicas -- Adalberto Lima

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