Loading...

Moody's Agencia norte americana, rebaixa Portugal a "LIXO"

5,032 views

Loading...

Loading...

Transcript

The interactive transcript could not be loaded.

Loading...

Loading...

Rating is available when the video has been rented.
This feature is not available right now. Please try again later.
Published on Aug 24, 2011

Agência justifica decisão com precedente europeu aberto para o caso da Grécia e com dúvidas sobre cumprimento do programa da troika


A Moody''s, uma das principais agências de rating, cortou ontem a avaliação de Portugal para uma classificação equivalente a "lixo", sublinhando o risco de o país precisar de um segundo empréstimo externo e de não conseguir cumprir as metas orçamentais do acordo com a troika.

Este corte violento de quatro níveis - o primeiro desde que o país pediu oficialmente apoio financeiro externo - irá agravar a já limitada capacidade de financiamento da banca portuguesa, piorando as condições de crédito às pessoas e às empresas. O governo e vários economistas reagiram ontem ao princípio da noite em desacordo com a decisão da agência de rating.

Para explicar o corte para a nota Ba2 - que leva Portugal a tornar-se no segundo país da zona euro cuja reputação como devedor caiu para território de "lixo" (a gíria usada nos mercados financeiros) - a Moody''s começa por admitir o risco do país precisar de um novo empréstimo.

"Há uma probabilidade cada vez maior de Portugal não ser capaz de se financiar a taxas sustentáveis nos mercados de capitais no segundo semestre de 2013 e durante algum tempo depois disso", indica o relatório assinado pelo vice-presidente Anthony Thomas. O dinheiro que a troika empresta a Portugal não significa que o país está livre de ter de pedir dinheiro aos mercados. Já amanhã, por exemplo, haverá um leilão de dívida de curto prazo - operação (entre 750 e mil milhões a três meses) que deverá resultar em juros ainda mais altos depois deste corte, precisamente na véspera. O buraco que o dinheiro da troika não cobre continua no próximo ano (em que o país terá que pedir cerca de 9 mil milhões em títulos de curto prazo) e em 2013 (mais 18,8 mil milhões, com 10 mil milhões em obrigações).

O acordo com a troika pressupõe que o mercado de dívida estará aberto a Portugal (a juros comportáveis) em 2013, mas a Moody''s mostra ter sérias dúvidas. Porquê?

Portugal entra na guerra A primeira razão para o cepticismo da Moody''s é a opinião negativa que a agência tem da solução europeia para a crise da Grécia, país que funciona como a lebre para Portugal na crise do euro - uma demonstração de que a situação portuguesa não tem uma solução puramente interna.

A Europa está nesta altura a definir os termos de um segundo empréstimo para a Grécia, com a Alemanha a pressionar para os credores privados (leia-se os bancos, sobretudo os alemães) suportarem parte dos custos, aceitando uma extensão voluntária do prazo de repagamento da dívida grega. Para a Moody''s, como para as restantes agências, este passo é encarado como um incumprimento de dívida - para a Europa, em braço-de-ferro com as agências (ver texto ao lado) é uma primeira solução.

O que tem isto a ver com Portugal? A Moody''s diz a Portugal - e sobretudo à Europa - que o precedente de envolver os credores privados em segundos empréstimos aumenta o risco para estes credores. Isto desencoraja o regresso dos credores privados à dívida deste país, "reduzindo a probabilidade de Portugal ser capaz de reconquistar o acesso ao mercado em condições sustentáveis". A União Europeia tem-se esforçado para fazer Portugal descolar da situação grega, mas as agências fazem questão de mostrar que por elas o contágio será real.

"Se Portugal está a ser usado como arma entre as agências e a Europa sobre a questão grega isso é inaceitável", comenta Paulo Soares Pinho, professor de finanças na Universidade Nova de Lisboa.

desconfiança sobre metas Outra razão para levar Portugal a ficar fora dos mercados depois de 2013 é interna: o risco de incumprimento do programa da troika, sublinha a Moody''s. A agência desfia o seu rol de argumentos: os planos de redução de despesa na saúde, nas empresas públicas ou nas autarquias "podem ser difíceis de implementar", o crescimento económico "pode ser mais fraco do que o esperado", os bancos podem precisar de um apoio além dos 12 mil milhões previstos (a agência não explica porquê e não esteve disponível para comentários).

"Perante decisões como o imposto sobre o 13º mês talvez este downgrade não seja o mais correcto", indica o economista Miguel Beleza. O governo reagiu na mesma linha, com um comunicado escrito no qual sublinha que "a decisão da Moody''s ignora os efeitos da sobretaxa extraordinária em sede de IRS anunciada pelo Governo".

O corte da Moody''s vai ter impacto "em primeiro lugar sobre os bancos", aponta Soares Pinho. O colateral que os bancos entregam ao Banco Central Europeu para receberem financiamento vai aumentar, retirando mais capital à banca. "O impacto será sentido por toda a economia", diz Soares Pinho.

  • Category

  • License

    • Standard YouTube License

Loading...

When autoplay is enabled, a suggested video will automatically play next.

Up next


to add this to Watch Later

Add to

Loading playlists...