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A PODRIDÃO NA CEDAE-V

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Uploaded by on Feb 6, 2011

Sem água para beber, tomar banho ou usar o banheiro, os moradores do distrito de São Sebastião dos Ferreiros, localizado a pouco mais de 20 quilômetros da sede do município de Vassouras, traem o santo padroeiro do povoado e fazem longos rituais de devoção a São Pedro. O que para a Igreja Católica não significa pecado, já que ambos são santos e a fé tem o livre arbítrio para escolher quem melhor lhe realiza as graças. As devoções são feitas de várias formas, desde a mais simples por meio de uma vela sobre um santinho de papel ou até mesmo em um altar com imagens em gesso e candelabros. E pouco importa aonde se vá e a quem se pergunte, a resposta é a mesma, "São Pedro é o nosso protetor".
Essa traição religiosa seria a responsável por uma maldição que não deixa o distrito se desenvolver, tanto que Ferreiros foi o mais proeminente entreposto comercial de Vassouras, um corredor obrigatório das Entradas e dos tropeiros, e hoje perde a anos-luz de distância para o distrito de Morro Azul, um lugarejo sem veias aristocráticas e sem passado colonial, incrustado no município de Eng. Paulo de Frontin.
Para os moradores, entretanto, não existe entrave religioso e garantem que São Sebastião lhes protege as lavoras e São Pedro lhes garante a água, sendo que sem a intervenção deles, Ferreiros não passaria de um cemitério. São unânimes em afirmar que a destruição do vilarejo é uma maldição política e apontam como anticristo Wagner Victer Granja, presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Estado do Rio de Janeiro, Cedae. Uma pessoa bem conhecida na Páscoa, quando a população apedreja, espanca e incendeia o Judas que o representa.
Com títulos anuais de maior marajá do Brasil e um salário fixo que ultrapassa a casa dos 50 mil reais mensais que, segundo o deputado Estadual Comte Bittencourt (PPS), pode chegar a um milhão em comissões, Wagner Granja Victer é o vilão da indústria da seca nos distritos de Ferreiros e Aliança e não pode sequer pisar lá, pois corre o risco de ser linchado pela população. Em janeiro de 2008, ele pousou de helicóptero na praça do povoado e assinou com o deputado Júlio Lopes e com o Ministro das Cidades, Márcio Fortes, um convênio no qual a Cedae recebeu R$1.073.140,74 para construir a tão sonhada rede de água, mas nem um cano foi colocado no local. A assinatura do convênio e o início das obras foram marcados por vôos rasantes de helicóptero, shows pirotécnicos, churrascadas e muito palanque político.
Mas em 2004, a então governadora Rosinha Garotinho já havia liberado R$580.639,00 para a perfuração de poços tubulares (semi-artesianos) e a construção da rede de água no distrito. Segundo os moradores, quatro poços foram perfurados e lacrados após encontrarem água farta, num verdadeiro crime contra o ser humano. O valor das perfurações não ultrapassou 20 mil reais, mas a Cedae declarou que não havia encontrado água, não concluiu a obra e o restante da verba desapareceu.
No dia 18 de junho de 2010, durante a reinauguração da Rodoviária Maurício de Lacerda, no centro de Vassouras, o vice-governador Luiz Fernando Pezão, que responde pela Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro, assinou um novo convênio para a mesma obra em Ferreiros. Um cano da Cedae colocado sobre dois cavaletes de madeira recebeu a assinatura dele, do prefeito Renan Vinícius e do deputado Albertasi, numa cerimônia de três minutos que contou com a presença do diretor do interior da Cedae, Heleno Silva de Souza e do gerente da GMP Luiz Antônio Rivelo Pereira. Mas tudo não passou de um teatro para injetar verbas na Companhia de Águas e Esgotos do Estado do Rio de Janeiro, enquanto o povo de Ferreiros sofre com a indústria a seca e carrega lata d'água na cabeça. Assim que terminou a inauguração, as placas foram retiradas às pressas por funcionárias da Cedae e escondidas em um depósito na estação de tratamento em Vassouras, onde permanecem há nove meses.
Heleno Silva dos Santos, Luiz Antônio Rivelo Pereira, Sandro Arantes Drumont Coutinho, que são os chefões da diretoria do Médio Paraíba da Cedae, conhecidos como os imperadores da água, em 2008 foram acusados por um motorista chamado José Antônio, de formar uma quadrilha para desvios de verbas públicas, venda de serviços, venda de água por meio de gatos e uma rede de fraudes para recebimento de propinas. E o distrito de Ferreiros foi e continua sendo o epicentro das denúncias, com três verbas desviadas somente nos últimos três anos, sendo que nos períodos eleitorais, os magnatas surgem até de helicóptero, bancam churrascos, assinam contratos milionários e prometem que no mês seguinte as obras terão início. Mas tudo mentira, exceto o contrato de liberação da verba pública, que bate as asas e desaparece na Cedae.

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News & Politics

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Uploader Comments (mariorandolfo)

  • Não é so a industria da seca que aflige a população. Existe a Industria da violência, a industria da falta de escolas, a industria da saude, tudo com o mesmo objetivo da industria da seca.

  • Henrique, é isso aí, parabéns pela ampla visão social.

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  • @mariorandolfo O governo não acaba com a violência ...Que promessa eles oferecerão aos eleitores!?

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