Ainda fetos, o relógio bate suavemente, escondido sob o som do batimento do coração.
E, ao nascermos, o relógio logo dispara a contagem que não compreendemos.
Vamos envelhecendo aos poucos e o relógio continua a bater, a bater e a ressoar
em nossos corpos, mentes e alma.
Vamos envelhecendo, o relógio enfraquece e as batidas são mais lentas,
mas o tempo não pára.
O relógio não pára. O tempo não pára, nunca.
De repente, o coração emudece, mas o relógio e as suas batidas continuam
a seguir em frente.
Dizemos que morremos, mas o tempo continua a nos emitir sinais.
Alcançamos o tempo e nos sincronizamos à sua realidade sem fim, e
o nosso relógio bate suavemente, escondido sob a incompreensão do olhar desatento.
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