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O Ébrio (Vicente Celestino) - ZZFred

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Uploaded by on Jan 30, 2010

O ÉBRIO
1935
Composição : Vicente Celestino
Interpretação : Vicente Celestino
Música mais famosa do grande e mais famoso tenor brasileiro Antonio Vicente Felipe Celestino.
Nascido em 12/9/1894 no Rio de Janeiro, filho de imigrantes italianos, chegados ao Rio dois anos antes de Vicente nascer. Teve cinco irmãos e cinco irmãs e quatro deles seguiram a carreira musical. Vicente Celestino foi um tenor que lançou estilo fortemente romântico que comovia o público durante as centenas de apresentações que fez durante a primeira metade do século passado, quando predominavam as óperas e operetas ao vivo.
Começou a cantar com apenas oito anos de idade, inicialmente em coros infantis. Em 1903 participou do coro infantil da ópera "Carmen" de Bizet e nessa ocasião Enrico Caruso o maior tenor do mundo na época, que participava do espetáculo, gostou tanto do menino cantor Vicente que convidou-o a estudar na Itália, mas o pai do menino não autorizou.
Estreou profissionalmente em teatro de revistas aos 19 anos, cantando no coro da revista "Chuá Chuá" . Seu sucesso foi tão grande, destacando-se no coro, que foi convidado a gravar a valsa "Flor do Mal" de Santos Coelho e Domingos Correia, da mesma da revista. Daí em diante seu sucesso ia crescendo de modo espetacular. Nos anos 30 e 40 atuou em dezenas de óperas e operetas, estilo musical muito em moda na época, sempre com grande sucesso.
Em 1935 cantou pela primeira vez seu maior sucesso "O ébrio" na Rádio Guanabara. No ano seguinte gravou "O ébrio" que seria inspiração para uma peça de teatro e filme homônimo com o próprio Vicente como ator.
Além de "O ébrio", seus maiores sucessos foram "Coração Materno", "Deus do amor", "Falando ao coração", "Flor de sangue", "Patativa", "Ouvindo-te", "Irapuru" e muitos outros.
Gravou 137 discos de 78 rpm com 274 músicas, 10 compactos e 31 LPs. Foi casado com a cantora, compositora e diretora de teatro e cinema Gilda de Abreu.
Considerado cantor lírico com incursões em músicas populares, imenso sucesso de público e crítica durante seus 54 anos de carreira artística ininterrupta.
Faleceu em 23/8/1968 em São Paulo, quando se preparava para gravar programa de televisão onde seria homenageado pelo Movimento Tropicalista.
Dárcio Fragoso
Fonte: http://www.paixaoeromance.com/30decada/o_ebrio/h_o_ebrio.htm
Letra:
Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham como eu seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento
Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!
E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei
Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração
Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo

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  • Muito boa essa música Seu Flor ouvindo várias vezes a mesma música

  • Obrigado Dudu!!

    Postei esta música para mostrar como era uma parte da vida boêmia na época de Vicente Celestino.

    Ainda influenciados pelo movimento romântico, as músicas e as letras tinham as características da liberdade de expressão e produção, individualismo, pessimismo, medievalismo e crítica social, sendo que os dois últimos manifestaram-se, mais, na literatura.

    Um forte abraço!

    Fred

Top Comments

  • Quanto a estarem mais bem tratados eu assino embaixo, Fred.

    Como minha mãe ameaçou jogar todos os vinis que tínhamos no lixo, eu os embalei carinhosamente e enviei a um amigo que coleciona, em BH. Foi a forma que encontrei de salvá-los do ostracismo...

    Shalom!!

    Lú.

  • cont.)

    Reparou que numa parte da letra quando fala "um grande amigo" o Lutti latiu?!

    kkkkk!!! Isso vale mais que qualquer erudição sobre o tema.

    Saravá!

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All Comments (13)

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  • Hoje as pessoas não se dão como antigamente. Parecem, até o personagem Panglios de Voltaire que, dentre outras misérias, andou sobre cadáveres no grande terremoto de Lisboa em 1700, e, mesmo assim, não cansava de afirmar que vivia no melhor dos mundos possíveis. Na verdade essas melodias são verdadeiros tratados sobre o vai na alma do ser humano. (cont...

  • "Bach" era o "Bar" daquela brincadeira infame. Daqui vou escutar o tapa na testa...kkkk!!!

    Nem me fale em vinis. Para desocupar espaço minha mulher doou todos os que eu tinha. Antes dos vinis eram os de 78 rpm. Pelo menos onde estiverem, estarão, com certeza, mais bem tratados.

    Shalom!

  • O Chopin e o Brahms eu entendi, Fred, mas o Bach me passou de liso sem tocar... hehehe...

    Qual o significado dele? rsrs...

    Shalom!!!

    Beijos no coração.

    Lú.

    P.S.: Em tempo -> algum tempo atrás uma amiga estava levando LP's para vender ou doar, e eu vi um Vicente Celestino (ou Cilistrino, como dizia minha tia-avó... hehehe...) e o arrematei em leilão (hehehe... brincadeirinha) para minha mãe... rsrs... mas acabei doando para um verdadeiro colecionador de raridades sonoras.

    Shalom!

  • "Churrasquinho de bebum"!!!! KKKKKKK, Adorei isso!!! É sim, Fred, a época era do culto à dor de cotovelo. Ninguém se incomodava de expor a a dor às últimas consequências. Hoje o orgulho impera. Desnudar ou entregar a alma é quase um insulto e uma afronta aos bons costumes. Fazer o quê?

    Saravá!

  • cont...)

    Tenho comigo que ela escancara a tragédia como fosse um quadro de Van Gogh.

    Sarava!

  • Valeu (IC) Cris!! hehe

    (IC) Churrasquinho de bebum?! (IC).

    Eita estorinha triste né?! Se, por muito menos que isso os apreciantes já enfiam o pé na jaca, imagine o que não fariam com tanta motivação. Era uma época de inspirados sofredores. Quando não passavam por angústias, a verve poética cuidava disso. Me lembro da polêmica que cercava esta música, verdadeiro trash para a maioria. Alguns críticos encontravam valores poéticos na obra.  (cont...

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