Primeira faixa musical do seu disco totalmente dedicado à poesia de Jorge de sena, "Sinais de Sena". Para além da beleza do poema, a sonoridade envolvente é quase de bailado o que Luís Cília nos revela nesta canção e em todo o disco. Há aqui uma preconfiguração do que os discos seguintes, música só para bailados, nos irão revelar: A fase actual do compositor.
No casto promontório dos teus seios
que sonhos nunca sonho de dormir
teus membros alongados que se curvam
abraço que já foi vai-vém de amor
e apenas é repouso respirado
e brandamente arfado
como um perlado
suor.
Tudo o que foste ainda serás por sempre
que auroras perpassarem rente a nós.
Tudo quanto és já foste e mais serás
no calor brando em que estaremos sós
agora e logo
neste silêncio -
voz.
Teu seio que repousa
no cristal que ousa
respirar por nós,
tão brandamente escuto
que, devoluto,
apenas sonho a transparência casta
em que mais vasta
se repete a vida.
Como um suor que fala,
como voz suada,
como repetição que se não cala
senão numa alvorada
consentida.
Para saber mais sobre Luis Cília consulte o site www.luiscilia.com.
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