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Pedra so Sal - Largo da Prainha

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Uploaded by on Feb 10, 2009

Pedra do Sal é um monumento histórico da cidade do Rio de Janeiro.
Dali, os moradores da Saúde saudavam os navios que chegavam da Bahia com familiares e amigos. A Pedra do Sal era, para migrantes, o que é hoje o Cristo Redentor para os recém-chegados ao Rio: O primeiro abraço e o primeiro sentimento da cidade.

Ocorre que os moradores da Saúde, e seus migrantes, eram predominante negros baianos retornados da Guerra do Paraguai (1865/70), uns; em busca de melhores condições de vida, outros. A Saúde, debruçada sobre o Porto, era uma pequena Bahia (como a Bahia, por sua vez, era uma pequena África).

Lá se encontraram as celebres tias, cabeças de famílias extensas Bibiana, Marcelina, Ciata, Bahiana... Pretas forras. Foi nas suas pensões que o batuque e o jongo se transformaram em partido alto e, logo, no amplo espaço da Praça Onze, no samba que conhecemos.

Os pretos da Saúde, e suas tias, participaram dos principais eventos da cidade: Abolição (1888), Revolta da Armada (1891/ 93), as greves de 1903/ 05, a Revolta Contra a Chibata (1910), e outros. Participação amplamente documentada, embora subestimada pela historiografia conservadora.

Já não existe a Praça Onze. Nada sobrou das pensões onde nasceu o samba. Boa parte da Saúde (e da Gamboa, da Conceição, Providência e do Estácio, que a prolongavam) se descaracterizou. Ficou como raro testemunho da cidade negra, a Pedra do Sal.

A Pedra do Sal é um monumento religioso do povo carioca.
Na virada do século, a Saúde, como o velho centro do Rio, enxameava de templos afro-brasileiros; iyalorixás, cambonos e alufás em cada quarteirão. Os templos católicos foram tombados e preservados. Nenhum afro-brasileiro o foi.

Na Pedra do Sal se faziam despachos e oferendas (a Obaluaiyê, Xangô, Ogum, Exu, Iansã e outros Orixás), se despejavam trabalhos. Era e é, local consagrado. À sua volta, convergindo nela, ficavam diversas roças, hoje desaparecidas, reduzidas ou transferidas para o subúrbio e Grande Rio.

Remanescendo como espaço ritual, a Pedra do Sal é um dos poucos testemunhos físicos daquele passado de densa religiosidade carioca.

A Pedra do Sal é, em suma, mais que um bem cultural negro-brasileiro. É um monumento histórico e religioso da cidade do Rio de Janeiro, 1 de abril de 1984, Joel Rufino dos Santos, Historiador.

A Pedra do Sal é um lugar místico para a cultura negra e para os amantes do samba e do choro. Ela pode ser considerada como o núcleo simbólico da chamada "Pequena África" de que falamos acima. A região em torno da Pedra do Sal era repleta de zungus, casas coletivas ocupadas por negros escravos e forros. Ali se reuniam Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres - precisa dizer mais? Fica a 100 metros do Largo de S. Francisco da Prainha, onde tocamos, virando ali na esquina do bar do sr. Adão. Na base, há um botequim, no Largo de João da Baiana. É uma pedra, com degraus escavados, por onde se pode subir para o Morro da Conceição, que é um passeio imperdível para qualquer carioca que se preze.

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