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Chico Science & Nação Zumbi - Sangue de Bairro [VIDEOCLIPE]

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Uploaded by on Dec 2, 2011

Chico Science & Nação Zumbi - Sangue de Bairro [VIDEOCLIPE]

O filme "O Baile Perfumado" resgata o mito de Lampião, Maria Bonita e seu bando de maneira pop, se entendermos este termo como universalização de microcosmos cotidianos. Foi lançado em 1997, pouco mais de um mês após a morte de Chico (cuja morte havia frustrado os planos do músico Antônio Nóbrega, que queria unir o Armorial com o Mangue, em um show no Recife). Todos os presentes no cinema São Luiz comoveram-se com a película, que representava a ótica do mangue e revivia Chico Science, colando sua voz a imagens fantásticas. Duas músicas de Chico na trilha trazem na letra a mensagem de desconstrução, reinvenção e pluralização do nosso subdesenvolvimento atávico, uma superação de nossa infeliz letargia. A inspiração veio dos emboladores, poetas do improviso, das feiras às praias. Nas primeiras cenas do "Baile Perfumado", vemos o Recife na década de 20, pelas imagens de "A Filha do Advogado", filme do cineasta pernambucano Jota Soares. É que Lampião e Maria Bonita estão assistindo ao filme. O diálogo posterior da dupla é impagável e os atores Luiz Carlos Vasconcelos e Zuleika Ferreira interpretam o texto de Hilton Lacerda, Paulo Caldas e Lírio Ferreira:

MARIA BONITA -- Mas, Lampião, Recife é muito do bonito. Não é? Tu não queria ver?
LAMPIÃO -- Prefiro coisa que se aviste.
MARIA BONITA -- Pois me agradava muito de conhecer. Tu não tem gosto mesmo. Né?
LAMPIÃO -- Isso é vontade de gente moça.

Lampião e Maria Bonita bebem uísque White Horse e usam perfume francês. A câmera do filme brinca com travelings, primeiros-planos, contreplongées e funciona quase como uma participação mais ativa da platéia.
É uma "câmera-espectador" assumida. Lampião é o governador do sertão, cruel e apoteótico. Na cena final, a polícia só encontra um frasco de perfume e a imagem de Lampião solitário sobre os penhascos do rio São Francisco ganha uma tomada aérea inesquecível.
Com uma "decupagem criativa", uma câmera que serpenteia rasante pelos canyons do São Francisco, tendo ao fundo a música de Science, o que vemos é a universalização, a recriação. Todo o filme gira ao redor de um leitmotiv simples: a reconstituição de um passado heróico de resistência, de paixão e terror. A grandiosidade, a energia que a arte pode proporcionar canaliza-se para orgulho dos pernambucanos.
Se o modernismo resultou no conformismo, Chico propunha a prevalência do impulso e da espontaneidade sobre a razão. Numa das músicas da trilha do filme,"Sangue de Bairro" (de Chico e Ortinho), já lançada no "Afrociberdelia", está escrito: "Quando degolaram minha cabeça/ passei mais de dois minutos vendo o/ meu corpo tremer/ e não sabia o que fazer/ morrer, viver, morrer, viver! (Moisés Neto, do livro: "A Rapsódia Afrociberdélica")

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  • ficou massa o clipe!

  • Muito foda!

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