Nunca ouvi ninguém falar da morte com tanta vida.
O Prof. Daniel Serrão é o avô que qualquer jovem gostaria de ter: bem parecido, jovial, inteligente, médico dedicado, professor catedrático, especialista em Bioética, conferencista, admirado por tantos, apaixonado pela família e pela vida em geral. Perante as tensões da vida não hesita em repetir: "não há nenhuma dificuldade superior à minha vontade de a vencer". Considera-se um homem feliz, um "optimista incurável".
Ao longo de oitenta anos passou muito do seu tempo a lidar com a abundância dos limites da vida: estudou pelos livros, aprendeu com os mestres, contactou com milhares de doentes, sentiu na pele o que a vida traz e leva.
Sendo alguém dotado de uma inteligência admirável, pedi-lhe que desta vez deixasse o coração falar. Como um neto fala com o seu avô, coloquei-lhe as questões mais importantes, as questões existenciais. Ouvi-o durante mais de uma hora mas não me importava de ficar ali o dia todo.
[Nota 1: este foi um trabalho desenvolvido para a cadeira de Rádio na qual sou orientado pelo professor Henrique Manuel Pereira. A entrevista foi gravada no Estúdio de Rádio da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto]
[Nota 2: agradeço à Dra. Marta Brites o seu apoio e amizade, sem os quais este trabalho não teria sido possível]
Sua força e coragem em assumir tanto a perda quanto a vontade "escondida" de, um dia, ter sido um tanto quanto ele, são comoventes, exemplares. Além de tudo, o respeito pela liberdade e diferença, que só nos ensinam a ser melhores pessoas, pais, irmãos, mães, amigos, colegas ...
Meu afeto eterno.
Miriam Reale.
miriamreale 2 years ago