Uploaded by advogado3d on Aug 9, 2009
Refletem os rostos uma esperança ínfima ou o completo desespero?
A face pétrea suprimida pela obscuridade do tempo.
A negação da decadência.
Mira a tua figura incrustada pelos anseios da perpetuidade!
Impõe-se ao ícone a aridez natural dos pensamentos.
Mesmo com a bruteza da queda, retumbante em seu fragor, não é desfeita a rigidez solene do gesto audaz.
Qual a escapatória dessa linearidade temporal atada ao peso de seus atos?
Não são senão esquivas morais, maneiras articuladas de se moldar normas e comportamentos, justificadas por cristalizações e petrificações. A devoção anatômica e supérflua, contemplada em emanações luminosas e deificações sem sentido.
Imutável ambição da preservação atemporal?
Vê que és impotente na tua tentativa.
Retido no pesado manto da mortalidade. Desfeito na contínua corrosão dos seus ânimos etéreos.
Há a repulsa à forma já corrompida e suplicas pelo vigor das asas estáticas.
A que ofereces o altar de tua existência ostentada em expectativas vãs?
Aceitas a inércia da solidez a que estás submetido?
Assume tua natureza orgânica e esquece tua cobiça pelo impalpável.
A resignação cerra teus olhos.
A conformidade obscura e homogênea cobre-te a expressão.
A sombra que se alastra e míngua tua fisionomia.
Lançada ao tempo, a estátua se transforma na silhueta inconstante.
A que fim destinas tamanha indiferença?
Teus olhos vítreos e impassíveis refletem a rigidez vazia de teu retrato.
Apesar da convulsão em redor, não te exaltas.
Mesmo o ambiente conturbado que te envolve não impede a tua contemplação oca.
Deslocado em espaço e tempo, perdido em um abismo de ausência.
Existente apenas para ti mesmo.
Sobre quais presunções te alicerças?
O que resta é proteger a ti mesmo.
A busca pelo refúgio dentro do próprio corpo.
Expões a vulnerabilidade de sua prosaica anatomia.
Atenta-te ao estigma estatuário.
O teu sustentáculo então absorve as tuas mãos.
És mero reflexo do vulto agigantado que tua expectativa se tornou.
Eis que ecoa a melodia anacrônica de um instante absurdo.
A volúpia que buscas na palidez desta felicidade que evapora.
A intermitência cerimoniosa de teus trejeitos.
Encara aquele que ceifa tua sutil ingenuidade.
Ergue-se o império das ampulhetas, ancião e decadente.
O coágulo das eras te acossa.
A angústia demente impregnada pela miséria dos anos.
A lava temporal dissolve teu semblante.
A sujeição de figuras atrofiadas frente à tempestade dos tempos.
Qual a grandeza, a imposição perpetuada nessas formas rígidas?
Quanta solenidade e quanta presunção constituem esse humanoide de carne imperecível?
Em quantos fragmentos deve se demolir uma forma para que ela possa ficar livre de seus significados e preposições?
Quanto tempo demora a queda ruidosa de um signo?
Essas imagens retalhadas, mutiladas em cores e contrastes, clamam por alguma luz que não aquela que lhes foi imposta.
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Artist: Enrico Onofri, Giovanni Antonini & Il Giardino Armonico
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Deixemeir 3 months ago
Realmente, Parabéns! Ótimo trabalho!
imyra 2 years ago