Cântico Negro de José Régio (interpretado por João Villaret)

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Uploaded by on Jan 1, 2010

Video usado no blog Torpedo @ London (http://engenheirotorpedo.blogspot.com/)

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Entertainment

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Top Comments

  • muitissimo bom isto é que portugal e os portugueses se deviam orgulhar. nao do benfica

  • este poema, esta interpretaçao...arrepiante!

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All Comments (48)

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  • @voicegods

    O que "eles" omitem é que este poema é um hino à individualidade dos portugueses na sua portugalidade: "Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens, e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada" "Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, e vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem" "Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!" "Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!"

  • CÂNTICO NEGRO, JOSÉ RÉGIO

    "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces

    Estendendo-me os braços, e seguros

    De que seria bom que eu os ouvisse

    Quando me dizem: "vem por aqui!"

    Eu olho-os com olhos lassos,

    (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

    E cruzo os braços,

    E nunca vou por ali...

    1/6

  • [...] A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? 2/6
  • [...]

    Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

    Redemoinhar aos ventos,

    Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

    A ir por aí...

    Se vim ao mundo, foi

    Só para desflorar florestas virgens,

    E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

    O mais que faço não vale nada.

    3/6

  • [...]

    Como, pois, sereis vós

    Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

    Para eu derrubar os meus obstáculos?...

    Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

    E vós amais o que é fácil!

    Eu amo o Longe e a Miragem,

    Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

    4/6

  • [...] Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tetos, E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém! Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. 5/6
  • [...] Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, É uma onda que se alevantou, É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí! 6/6
  • melhor que a vida!

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