Cientistas usam DNA de peixes para mapear espécies do São Francisco

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Uploaded by on Oct 23, 2010

Os peixes do Rio São Francisco, em Minas Gerais, estão passando por exames de DNA. Veja por que na reportagem de Ismar Madeira.

O velho Rio São Francisco sempre foi o ganha-pão do pescador Lourival da Costa. E ele sabe o que vale ouro aqui: "Dos peixes todos, o mais procurado e o que mais tem valor é o surubim", conta.

Mas nem sempre é o que o consumidor encontra pra comprar. Pesquisadores da UFMG analisaram 60 amostras de peixes vendidos como surubim em Belo Horizonte.

"Nenhuma correspondia ao surubim verdadeiro, e o mais interessante é que 54% das amostras, especialmente as amostras de filés, não correspondiam nem sequer a peixes do mesmo gênero. Nós encontramos inclusive peixes de origem marinha", conta a professora veterinária e pesquisadora Denise Andrade de Oliveira.

Os pesquisadores só conseguiram verificar isso por causa de um estudo que vem sendo feito no Rio São Francisco. Eles estão isolando e cadastrando o DNA de todas as espécies de peixes que existem aqui.

Basta um pedaço de barbatana, por exemplo, para detectar o código genético e comparar com o de peixes nativos do rio.

"Se você está procurando identificar uma amostra de peixe que só ocorre na bacia do Rio São Francisco, nós podemos dizer se ela pertence a essa espécie ou é uma espécie de outra bacia", explica o biólogo e pesquisador Bruno Brasil.

Com isso, também é possível combater a pesca predatória. Fiscais do meio ambiente já autuaram um mercado que vendia dourado de tamanho menor que o permitido no Brasil. O DNA comprovou que a pesca era do São Francisco, e não do Rio Paraguai como o comerciante afirmava.

"O que acontece muito: 'Da onde veio esse peixe?', 'Não, veio da Bahia. Não, veio do Rio Grande do Sul. Não, veio...'. Agora, não, agora nós sabemos se o peixe veio da nossa bacia ou não. E autuar em cima de ciência, não apenas achando", fala o engenheiro de pesca e fiscal da IEF-MG, José Vanderval de Melo Junior.

O DNA vai ajudar ainda no repovoamento do Velho Chico com peixes de espécies nativas que já estavam desaparecendo de alguns trechos do rio: "Ele já teve morto. Ele agora está vivo, tem muito peixe, a gente vê o movimento do peixe no rio. Tem que cuidar", fala o pescador Lourival da Costa

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Pets & Animals

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