Cena do ultimo capitulo da novela Espelho Mágico (1977), escrita por Lauro César Muniz e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota para às 20 horas na Rede Globo.
Na cena final do ultimo capitulo, o autor usa o personagem Carijó (Lima Duarte) para homenagear o mundo artistico que fora o foco de sua novela.
Lima Duarte, um dos grandes atores da televisão brasileira faz essa cena fantastica, onde aos poucos sai de seu personagem e se dirige diretamente ao publico como Lima Duarte, e finalmente voltando ao seu papel para encerrar a novela. Durante seu discurso, todos os personagens principais da novela são apresentados.
Espelho Mágico tinha a proposta de mostrar o mundo dos bastidores da produção de uma novela (Coquetel de Amor), que era uma novela dentro de uma novela (essa tinha ate sua propria abertura, que se alternava com a abertura de Espelho Mágico). E apesar da ideia genial do autor, do elenco fabuloso e de uma produção esmeralda, a novela foi o maior fracasso de audiencia da Globo ate então. A frieza e realismo da novela não conseguiu agradar a um publico acustumado com os grandes dramas desse horario. A novela dentro da novela, Coquetel de Amor, onde o romantismo e aventura compesariam o realismo de Espelho Mágico, também não ajudou, em parte devido a sua alta artificialidade, que ja nem era mais usada dessa forma nas novelas em geral.
No mesmo horario, na Rede Tupi, a grande Ivany Ribeiro escrevia um dos seus maiores sucessos, a novela O Profeta, o que não ajudou em nada a situação de Espelho Mágico.
Desde o sucesso da novela Escalada (1974), tambem de Lauro César Muniz, Daniel Filho e a emissora tentavam trazer para o horario nobre novelas mais realistas, adultas e experimentais, como teria sido Roque Santeiro (1975) se não tivesse sido censurada, O Casarão (1976) e Duas Vidas (1976). Infelizmente, o fracasso de Espelho Mágico encerrou essa fase experimental da televisão brasileira - apartir de então as novelas seguiriam formulas que sempre garantissem o sucesso. As novelas das 22 horas, que era o horario usual para tramas mais experimentais, continuariam por mais 2 anos, mas essas também estavam com seus dias contados.
Credito deve ser dado a emissora, que mesmo diante desse grande fracasso de audiencia não encurtou a trama, não afastou o autor, nem forçou grandes modificações, aguentado firme ate o seu ultimo capitulo (algo que jamais se permitiria nos dias de hoje).
A qualidade da imagem e som não é das melhores.
Em 2009 a Globo exibiu uma minissérie experimentalista também, chamada "Som e Fúria". Sucesso de crítica e fracasso de público, tal como "Espelho Mágico".
alexandresena2007 3 months ago
No Teatro faria sucesso,mas os telespectadores estão acostumados com bosta de auditório,digo,programa.
2011balaio 3 months ago
Metalingüístico total! Impensável na linguagem pasteurizada de hoje.
zevalili 1 year ago