Quem é que abraça o meu corpo
Na penumbra do meu leito?
Quem é que beija o meu rosto,
Quem é que morde o meu peito?
Quem é que fala da morte
Docemente ao meu ouvido?
- És tu, senhor dos meus olhos
E sempre no meu sentido.
A tudo quanto me pedes
Porque obedeço, não sei:
Quiseste que eu cantasse
Pus-me a cantar e chorei.
Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo;
Sou como as velas do altar
que dão luz e vão morrendo.
Não me chamem pelo nome
que me deram ao nascer;
Sou como a folha caída
que não chegou a viver.
Meus olhos que por alguém
deram lágrimas sem fim,
Já não choram por ninguém
- Basta que chorem por mim.
O que é que a fonte murmura?
O que é que a fonte dirá?
- Ai, amor, se houver ventura,
Não me digas onde está.
Poema. António Botto
Música. José António Amaral
linda musica portuguesalinda meu anjo ameiauusta
olhosverdes3112 4 months ago
Amaral's music combines perfectly with Botto's enchanting and mysterious poem to create her greatest song. Is it fado? Is it something else? It's hard to tell, and it really doesn't matter.
MacEoin 10 months ago
the lyrics are amazing ! Thanks for sharing !
titareco 1 year ago