Escola Paroquial de Ribamar e Santa Bárbara - AS CRISES E OS PROFETAS - 27-01-2012.mp4

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Uploaded by on Jan 30, 2012

AS CRISES E OS PROFETAS
(Que leituras da realidade?)

Esta é a 3ª sessão da Escola P., no dia 27 Jan,/2012, com o Prof. Manuel Nunes que
iniciou a sua exposição dizendo que pelo Batismo somos todos sacerdotes, profetas e reis.
Sacerdotes como medianeiros, profetas como porta vozes de Deus e reis como servidores que regem colocando-se ao serviço dos outros .
Numa situação de crise é importante aprendermos com os profetas a « ler» a nossa realidade. Em vez de abordar todos os profetas, preferiu debruçar-se sobre o comportamento de Amós, um profeta que era pastor e agricultor. Vivia em Técua, perto de Belém, no reino do Sul de Israel, no século VIII a. C. Amós leu a realidade e falou em nome de Deus. Enquanto cultivava as suas terras e apascentava os seus rebanhos em Técua, perto de Belém, no Reino do Sul (Judá), Amós sentia a sua consciência a ser sacudida e espicaçada pela terrível realidade do povo irmão do Norte, o Reino de Israel: sob o reinado de Jeroboão II, praticavam-se escandalosas injustiças contra os pobres. De facto, sob o cetro deste rei, o Reino do Norte conseguiu um assinalável progresso económico. Mas à custa de quê e de quem? À custa da mais brutal e hedionda exploração dos pobres. O rei, os nobres e os sacerdotes viviam dias de luxo esplendoroso. Mas, para que isso acontecesse, tinham as pessoas do povo de viver numa situação de escandalosa miséria. Mais ainda: os Assírios estavam a tornar-se um povo cada vez mais poderoso, cada vez mais expansionista e cada vez mais ameaçador. Mas parecia que, em Israel, ninguém estava a ver o perigo que os Assírios começavam a representar para a independência dos israelitas, de tal forma os responsáveis políticos estavam anestesiados pela riqueza, pelo luxo, pelos prazeres mais escabrosos, sob a legitimação de vazios cultos religiosos que, nos santuários de Guilgal e de Betel, eram oficiados por sacerdotes corruptos, cobardes, bajuladores do rei, dos nobres e dos demais detentores do poder e do dinheiro. Amós, ao ver o que estava a acontecer, deixou tudo e partiu para o Norte. Era preciso ajudar aquela gente a abrir os olhos de modo a, por um lado, aprender a ver a realidade em que estava imersa e, por outro lado, decidir reorientar-se por caminhos diferentes, a partir de fundamentos radicalmente diferentes e em ordem a objetivos diferentes. Ninguém (ou quase ninguém) o levou a sério. O resultado foi catastrófico: no ano 721 antes de Cristo, os Assírios invadiram o Reino do Norte (Israel), os israelitas foram deportados para Nínive e Israel deixou de existir como país independente!... Ah, se aquela gente tivesse ousado escutar Amós!...




E nós, com a nossa crise?- Somos chamados a discernir, a decidir cortar com o que está mal e mudar de rumo. Esta é uma oportunidade. Em que alicerces temos vindo a fundar o edifício da nossa vida? Que caminhos temos vindo a percorrer na sociedade? E a partir de agora? Para que horizontes temos vindo a nortear-nos (ou a desnortear-nos?) e para quais devemos, a partir de agora, orientar o nosso olhar, o nosso agir, a nossa inteligência, o nosso coração e a nossa vontade?... Ah, se hoje ousássemos escutar os ecos da voz de Amós!...

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