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Brasília em 1967: Plano Piloto e Cidades-Satélites

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Uploaded by on Oct 13, 2007

A partir de dois traços, em forma de cruz, no branco do papel, iniciou-se o esboço de um projeto urbanístico que entrou para a história. O desenho de um avião, em seguida, foi o ponto de partida para a planta da cidade. Após a sua construção, a cabine do piloto dessa aeronave, passou a abrigar os poderes que comandam o país. Em 1987, ela se tornou a primeira cidade moderna do mundo a ser tombada pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.
Tanto o projeto urbanístico de Lúcio Costa quanto a moderna arquitetura dos edifícios desenhados por Oscar Niemeyer conferem a Brasília características que não encontram paralelo em qualquer outra cidade do mundo. De automóvel, é possível atravessar toda a sua extensão, a partir da entrada Sul até o final da Asa Norte, sem pegar um único sinal de trânsito sequer. De cada ponto desse trajeto totalmente arborizado, vê-se a linha do horizonte: a cidade é plana e os edifícios residenciais têm, no máximo, seis andares. Além disso, o ar de Brasília é puro, pois não há indústrias pesadas ao seu redor.
Mas essa qualidade de vida, desfrutada por quem habita o Plano Piloto, tem um custo alto para a maioria da população, que mora nas periferias. Enquanto a cidade possui cerca de um automóvel para cada duas pessoas (maior índice do país), o seu transporte coletivo leva pouco mais do que um passageiro por quilômetro percorrido de linhas de ônibus, número que chega a ser quatro vezes menor do que o de cidades de mesmo porte. Esse baixo índice, que torna a tarifa de ônibus em Brasília uma das mais caras do país, se deve à grande distância entre as cidades-satélites, onde vive cerca de 90% da população do Distrito Federal, e o Plano Piloto, que concentra 77% dos postos de empregos do DF, segundo levantamento feito pelo Ministério do Trabalho, em 1999.
Esses dados fazem parte de um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), sobre a ocupação territorial do DF. O estudo mostra que o processo de periferização, que em outras grandes cidades se deu por pressões do mercado imobiliário, no DF foi instituído pelo próprio governo. "O processo de implantação dos núcleos urbanos foi extremamente segregacionista desde a sua origem", afirma Frederico de Holanda, um dos responsáveis pela pesquisa.
O estudo revelou que, segundo estatísticas da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan), desde a construção da capital, a população do DF é maior nas cidades-satélites do que no Plano Piloto. Milhares de migrantes que foram para a região trabalhar na construção da capital, se alojaram, na época, nas imediações da Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante. Em 1958, uma parte dos operários foi convencida por assistentes sociais a se mudar para os loteamentos da primeira cidade-satélite que surgia: Taguatinga, a 20 Km do Plano Piloto. Pouco mais de uma década depois, com a Campanha de Erradicação de Invasões (CEI) criada pela administração de Brasília, surgia ao lado de Taguatinga aquela que seria a maior cidade-satélite do DF: Ceilândia. "A remoção dos moradores de várias favelas deu origem a essa cidade", conta Holanda. No censo de 1980, Ceilândia já possuía uma população maior que a do Plano Piloto.
"A configuração urbana do DF caracterizou-se como um modelo de ocupação muito menos compacto, muito menos denso", afirma Patrícia Melasso Garcia, outra pesquisadora da UnB envolvida no estudo. "As cidades criadas pelo poder público localizavam-se distantes do centro", ela diz. Os pesquisadores da UnB mencionam o documento Brasília Revisitada, escrito por Lúcio Costa em 1987, no qual o próprio urbanista, que projetou uma área de expansão na cidade-satélite do Guará, entre Taguatinga e o Plano Piloto, reconhece as consequências sociais da concentração populacional nas cidades-satélites. "A longa distância entre as satélites e o Plano Piloto isolou dois terços de sua população metropolitana que reside nos núcleos periféricos, além de gerar problemas de custo para o transporte coletivo", admite Lúcio Costa em seu texto.
Misticismo
Com pirâmides que lembram a antiguidade egípcia, como o Teatro Nacional e o Templo da Boa Vontade, Brasília é cercada por misticismo desde a sua criação. Às margens do lago Paranoá, construído artificialmente para amenizar a baixa umidade da capital, há a inscrição de uma profecia atribuída a Dom Bosco, padre italiano fundador da Ordem dos Salesianos, em 1859. Na Ermida que leva o seu nome, o texto da profecia de Dom Bosco diz que "entre os paralelos de 15º e 20º, partindo de um ponto onde se formava um lago, surgirá a terra prometida". Brasília, situada nas proximidades do paralelo de 15º, é tida pelos místicos da cidade como a "terra prometida", vislumbrada por Dom Bosco.

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Uploader Comments (ZekitchaCostello)

  • Amigo. Muito legal o video. Gosté muito de conhecer Brasilia.

    uma pregunta. ¿Sabe quiem fiz a realizaçao desde video?.

    Muito obrigado pela respuesta.

  • @koyaanisqatsi82 O vídeo está disponível no DVD Macunaíma. É um curta feito em 1967, com narração do Ferreira Gullar, cuja voz retirei, safadinho que eu sou. O video esteve proibido pela ditadura, e o próprio Niemeyer o rejeitava, devido às críticas (contidas no vídeo original) feitas quanto à exclusão social que se reproduzia em Brasília, repetindo o quadro nacional de então. Hoje Niemeyer concorda com a visão do filme: Brasília acabou tornando-se uma cidade de guetos.

Top Comments

  • Fantástico vídeo! Parabéns por postar!

  • Nasci em 1967. Quem é de Brasília sabe o que estas imagens representam - principalmente quando não estamos morando na cidade e desejaríamos estar. Nostálgico e Lindo.

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All Comments (101)

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  • @AdilsonMartinsdoNasc A escada rolante da rodoviária funcionava lol

  • quem canta essa musica gostei ...

  • é muito gostoso ver a evolução da nossa capital, e ver o quanto ela cresceu e o quanto ela ainda está crescendo, isso é sensacional...moro no sudoeste e aqui vamos ter a nova quadra 500, que está trazendo muitas melhorias aqui para a região.

  • Belo documentário, eu nem sabia da existência desse preciosidade, agora vendo brasília na atualidade, é um pouco até decepcionante, pois o governo não está dando a devida atenção â ela. Enfim, amamos brasília e temos que pressionar o governo a mudar a nossa saúde e principalmente o nosso trasnporte.

  • Que situação da rodoviária.... É preciso que tenhamos e consigamos melhorias nesse sentido. O Governo precisa subsidiar as empresas de ônibus.

  • Gente, que nosltalgia maravilhosa. É muito bom ver essas imagens, imaginar aquele transito mais do que calmo e ver o que transformou hoje por conta da irresposnsabilidade do governo em investir e dá suporte ao traasnporte público. Vamos mudar isso e fazer de Brasília sempre a melhor cidade para se viver. =)

  • morei em Brasília durante 25 anos. Nunca vi algo registro tão perfeito dos primeiros anos da capital, quanto esse. Parabéns.

  • Achei D+!!!

    Vc sabe me dizer o nome do curta?

    DVD Macunaíma? Não entendi... é um site? Esta no DVD do filme Macunaíma?

    Grato pela atenção

    Willian

  • Fantástico, estou em Brasília desde 64 e esse vídeo é uma preciosidade!

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