Sérgio Sampaio - Roda Morta

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Uploaded by on Oct 25, 2010

Zeca Baleiro recuperou músicas perdidas de Sérgio Sampaio, o mais "maldito" dos artistas da MPB dos anos 70. Comparando-se com Sampaio, Raul Seixas se considerava careta.

Se há um músico brasileiro que merece o adjetivo "maldito" é o capixaba Sérgio Sampaio. Descoberto por Raul Seixas, em 1972, Sampaio emplacou seu único sucesso nacional, com Eu quero botar o meu bloco na rua. Além de um álbum com Raul Seixas, Miriam Batucada e Edy Starr, ele fez um compacto de dois LPs. Problemas pessoais, mau relacionamento com gravadoras, escantearam Sérgio Sampaio para a margem do show business. No início de 1994, ele pretendia gravar Cruel, seu primeiro CD, pelo selo paulistano Baratos & Afins. Em maio, Sérgio Sampaio morreu em conseqüência de uma pancreatite.
Em 1997, Zeca Baleiro foi um dos artistas que participaram do CD-tributo Balaio do Sampaio. Sérgio Natureza (amigo e parceiro de Sérgio Sampaio) passou para Baleiro um cassete com oito composições inéditas para que ele escolhesse uma para gravar. Zeca Baleiro preferiu cantar Tem que acontecer, que dá nome ao segundo LP de Sérgio Sampaio. A participação no disco fez com que ele fizesse amizade com Ângela, ex-mulher, e João, filho de Sérgio Sampaio. Dela recebeu a fita original do disco que o artista deixou incompleto.
Fã de Sampaio, que conheceu quando ainda vivia em São Luís (pediu-lhe uma entrevista para uma revista que ajudava a editar), Zeca Baleiro saiu em busca de canções perdidas do ídolo. Nos arquivos de Ângela encontrou velhos cassetes, quase inutilizados. Deles conseguiu resgatar outras 12 músicas. Mais uma canção foi descoberta. Estava na entrevista que Sérgio Sampaio enviara para a revista, e que continuava inédita (o cantor demorou a responder, e a revista saiu sem a entrevista). Uma canção chamada Maiúsculo, gravada na casa da mãe de Sampaio, em Cachoeiro do Itapemerim (mesma cidade de Roberto Carlos).
Resumo: 14 dessas canções inéditas de Sérgio Sampaio foram restauradas, instrumentos foram adicionados, e, produzido por Zeca Baleiro, Cruel, o terceiro álbum de Sérgio Sampaio, finalmente chega às lojas, pelo selo Saravá Discos, criado pelo próprio Baleiro.

DISCO -- As canções deste CD são as mais bem-acabadas de Sérgio Sampaio, que em suas composições dos anos 70 fazia uma espécie de tropicalismo defasado (influência que se estendia à sua forma de cantar, muito em cima dos maneirismos de Caetano Veloso). Harmônica e melodicamente ele também havia evoluído da simplicidade dos acordes perfeitos das primeiras composições.
O que permaneceu foi a poesia contundente, inquieta e confessional: "Eu vejo mofo verde no meu fraque/e as moscas mortas no conhaque/que herdei dos ancestrais/e as hordas de demônios quando eu durmo/infestando o horror noturno/dos meus sonhos infernais", versos de Roda morta, que denunciam suas leituras dos Rimbaud, Baudelaire e Augusto dos Anjos.
A produção é muito boa, deixa o cantor e seu violão bem na frente, e os instrumentos adicionados, colorindo as canções com sutilezas (tocam entre outros, Bocato, Marcos Sacramento, Tuco Marcondes e Lui Coimba). Não esperem os que cultuam Sérgio Sampaio a facilidade de uma Meu bloco na rua (feita para o Festival Internacional da Canção de 1972). As melodias são discretas, dividindo-se entre baladas, Em nome de Deus, ou sambas cadenciados, Polícia, bandido, cachorro, dentista (uma das melhores faixas do disco).
Algumas canções têm som precário, Zeca Baleiro ressalta no encarte o valor documental deste lançamento. Uma destas é Cruel, a faixa-título. Porém a maioria é de boa qualidade, e aponta para um artista que atingiu a maturidade artística, porém tardiamente, numa época em que, mesmo que não vivesse à margem da sociedade, a indústria do disco mudou tanto que dificilmente ele conseguiria novamente a fugaz popularidade que desfrutou há 34 anos.
JOSÉ TELES

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Music

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  • cara... como diria o grande Sampaio: "não adianta, não adianta o mar e nem a sua dor"

    por mais que seja a sua inteligência e a sua vontade expor o que quer, só existe merda na sua frente... me sinto igual um professor: se pelo menos UM de todos pelos quais eu jurei meu conhecimento absorverem isso, já é lucro...

  • Bom, eusou umdos grandes adimiradores das obras do músico compositor S.sampaio,eu gostaria que um dia quem sabe o Zeca Baleiro regrave o disco Cruel e fizer shows por todo Brasil seria uma grande homenagem ao compositor maldito e que assusta as os abutres, um grde abraço

  • Sérgio Sampaio é um verdadeiro gênio...lindas letras.

  • E dos se julgam super inteligentes como vc nérm uecaro...e que julga as pessoas como sendo burras, eu tntendi esse " adjetivo, maldito e que se foda ...

  • @DAVITHEDOORS  Também concordo. Ele só maldito para aqueles que não tiveram inteligência de entender o gênio do Sergio Sampaio (grande rei dos malditos)

  • esse termo maldito não muito legal, pois de maldito ele não tem nada.

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