No ateliê de Paulo Carneiro, - nascido em Ribeirão, na Zona da Mata Sul, em 1949, mas um olindense de coração. Embalagens de desodorantes, xampu e refrigerantes, caixas de leite, chaves, frascos de remédio, cuias de queijo e até mesmo palitos de fósforo já riscados também se transformam em arte. Ou melhor, em figuras humanas que simbolizam tipos regionais, como os retirantes, os animais e personagens do Carnaval de Olinda, no caso do Homem da Meia-Noite. Desde criança fazia brinquedos com o que achava no lixo, tipo latas de refrigerantes, muito antes da conscientização que a reciclagem trouxe, de uns dez anos pra cá, comenta o artista, um funcionário público aposentado.
Há cinco anos ele se dedica ao que chama de arte utilitária e reciclável, não sem responsabilidade: Recebo lixo de escolas, indústrias e inclusive material não utilizado de hospitais, como seringas, luvas, tampas de remédios, e ainda brinquedos quebrados. Aqui faço uma triagem, separando os objetos. O que não for utilizado eu entrego para um catador de lixo, que vem aqui a cada quinzena. Ele acrescenta que tudo o que for embalagem serve. Tá vendo aquela bonequinha ali? O corpo é de um barbeador, diz, referindo-se a um item que custa R$ 20.
Na casa localizada em uma das ruas do Sítio Histórico, há itens que custam de R$ 7 (bonequinho composto de uma chave e tampa de garrafa pet) a R$ 200 (o presépio maior). Com a ajuda de sua mulher Deise Farias, Paulo Carneiro cataloga os produtos à medida que recebe visita de compradores ou curiosos e continua recriando a noção coletiva do que realmente deve ser rotulado de lixo Na prática, ele e sua arte são uma manifestação daquela máxima em que nada se cria, tudo se reinventa, com mais alegria ainda quando se é erguido a partir das sobras da sociedade.
Eu adoro os trabalhos de Paulo Carneiro e tenho muito carinho pelo artista e pela sua esposa Deise Farias, Parabéns!!!
ElizPalafitas 2 years ago