Uploaded by FabricaEstudios on Aug 4, 2008
Por Isabelle Câmara. O redemoinho de sons exuberantes dos caboclos de lança do maracatu de baque solto, das alegres e contagiantes rodas de coco ou de ciranda que irrompem a paisagem bucólica da Zona da Mata Norte de Pernambuco, região que desponta para o cenário local como nascedouro e berço de várias manifestações populares, como as citadas e também as sambadas e o cavalo-marinho, ganha um importante registro em CD com a realização do projeto Poetas da Mata Norte, que lança, em julho, seis álbuns, sendo dois de ciranda, dois de coco e dois de maracatu de baque solto. O nome da coletânea traz o conceito de "poetas" e não de músicos, o mais comum de se imaginar. "Eles são poetas. Mesmo que musicalmente harmonizadas, o que está posto naquelas brincadeiras é poesia pura; a tradição popular da poesia oral rimada, que apenas vem sustentada pela melodia", explica o músico pernambucano Siba, que aparece no meio deste cenário como idealizador do projeto -- verdadeiro guardião de tradições vivas. Também anuncia: são os artistas populares que protagonizam os discos. O que poderia ser um mero aproveitamento da criação poético-musical e brincante daquele povo tornou-se a reconhecença aos poetas que fazem a tradição acontecer. A coletânea, além de fazer com que os poetas sejam celebrados, especialmente pelo público recifense, "com quem têm uma relação afetiva intensa, mas não reconhecedora", segundo Siba, legará um excelente patrimônio material para os artistas: as matrizes e os direitos sobre o material -- Siba não terá nenhuma participação nos lucros com a venda do álbum. Dele também participarão os coquistas Zé de Teté, de Limoeiro, com o coco de roda, Antônio Caju & Caetano da Ingazeira, de Aliança, que vêm com o coco de embolada; e os maracatuzeiros João Paulo & Barachinha e Antônio Roberto, todos de Nazaré da Mata. Lacuna -- As informações trazidas por Siba, resultante muito mais do ouvir e do cantar ciranda nos terreiros, da convivência com mestres cirandeiros da Zona da Mata Norte do que da investigação com rigor acadêmico, preenche uma lacuna importante sobre o folguedo. Entre as poucas pesquisas que se tem notícia no país, uma foi publicada no livro Ciranda, roda de adultos no folclore pernambucano (1960), que também conta com partituras dos versos, pelo Padre Jaime Diniz, que além de pároco da Igreja da Harmonia, em Casa Amarela (Recife-PE), era professor de música e musicólogo. Ignorado até por dicionaristas como Pereira da Costa, no seu Vocabulário Pernambucano; Antônio Joaquim Macedo Soares, no Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa; Gonçalves Dias, no Dicionário da Língua Tupi, entre outros, o termo "Ciranda", de acordo com as pesquisas do Pe. Jaime Diniz, tem origem espanhola e vem de "zaranda", que é um instrumento de peneirar farinha, joeirar cereais; "deve-se ao fato, também, das mulheres trabalharem juntas em serões, daí 'seranda'". Diniz deixou um único livro sobre o tema, mas fundamental para se entender a origem e a difusão da brincadeira, principalmente em Pernambuco. Ele afirma que o folguedo era praticado na corte portuguesa, onde era cantado e bailado: "A ciranda é uma dança típica de adultos, nada tem a ver com a 'ciranda, cirandinha' infantil. É de origem portuguesa, veio para o Brasil provavelmente no século 18, junto com o pastoril. Aqui se dança principalmente na Mata Norte, de onde desceu para o litoral, há uns poucos anos. É conhecida há muitos anos em Timbaúba, Paulista, Carpina, Goiana, Limoeiro, Nazaré da Mata, Cruz de Rebouças, Paudalho". O projeto Poetas da Mata Norte devolve à região o reconhecimento da origem brasileira da brincadeira. "A ciranda de Engenho acontecia de forma intensa nos anos 50 do século passado, na (zona da) Mata Norte. Mas era uma ciranda diferente, com um ritmo mais acelerado. Não tinha músicos; era só o mestre cirandeiro puxando o coro. Com o êxodo rural, a ciranda chega ao ambiente urbano e assimila outras informações, ganhando um ritmo mais amarrado, o rigor da rima e da métrica, a variedade de assuntos. Também são inseridos os instrumentos tarol e bombo", complementa Siba do site www.continentemulticultural.com.br
-
3 likes, 0 dislikes
3:20
Making of CD Poetas da Mata Norte - Galdinoby FabricaEstudios2,912 views
5:05
JOÃO LIMOEIRO CANTA: TRÊS PADROEIROS. 1DVDby magurir633 views
2:46
JOÃO LIMOEIRO CANTA CAPA PRETA DA CIRANDA 1 DVD..flvby magurir682 views
5:37
CUMBEby isaacribeiro1,819 views
3:19
João Bandeira - Corre Viado (Ao Vivo em Limoeiro do Norte)by joseguilherme200740,904 views
2:54
João Bandeira - A Rosa Vermelha(Ao Vivo - Limoeiro do Norte)by joseguilherme20079,589 views
5:47
Mestre Duda de Aliança Pernambucoby gilacauan1,605 views
2:30
Mestre Zé do Pifeby jonatascf5,157 views
8:29
XXXVII Festival de Violeiros Norte - Nordeste Disco nº 03 Parte 04by assesprodater434 views
3:39
ZÉ CANTOR E JOÃO BANDEIRA 1by theForroforro36,409 views
5:27
João Bandeira, joão Bandeira Jr e Vicente Neryby joseguilherme200757,981 views
2:50
MESTRE BARACHINHA-MPEG.swfby ellysproducoes384 views
8:23
ECO MARAJOARA 20 ANOS DE HISTÓRIA / CIRANDA DO NORTEby MARAJOANDO23,130 views
5:02
Mocamboby OscarMalta12,126 views
4:26
João Bandeira - Xote dos Cabeludos/Menino de Colo (Ao Vivo)by joseguilherme200722,888 views
2:37
Repentistas Moacir Laurentino e Sebastiao da Silvaby FabrizzioReis78,678 views
4:23
casa de farinhaby quel941,323 views
1:12
Cirandeiro with Normandale French Immersion Schoolby MaluPantano5,695 views
2:52
Toinho de Limoeiroby valdasedicias5,525 views
2:50
Banda Swing do Povão..by ramonswingao2,992 views
- Loading more suggestions...
parabens joão limoeiro vc é um grande poeta
na ciranda vc é o numero 1 nota dez tenho muita saudade das suas musica lembro dos meu 15 anos quando vc cantava na minha cidade em tempo d eleição lá em lagoa de itaenga vi pra são paulo em 1986 e sempre viajo pra lá d ferias hoje tenho 39 anos vc lembra do cirandeiro zé dias de lagoa de itaenga zé dia não gostava d vc pq vc era sempre o melhor onde compro seu cd ou dvd com todos os seu sucesso um abraço do seu fã ronaldo
ronaldo0123456789 3 years ago 2