O Arquiteto do Planeta - Zé Anezio
Essa tarde eu tive um sonho
Eu não me lembro nada muito exato
Eu via pessoas nuas, via uma estrada de argila
E muita lama onde deveria haver asfalto
Parecia que o mundo ainda não estava pronto
E havia muito a se fazer
E homens uniformizados botavam a mão na massa
E faziam eu não sabia se sabiam o quê
E os operários dedicados
Não prestavam atenção aos encantos dali
Onde mulheres sinuosas
Insinuavam em carne toda a beleza do existir
E os operários dedicados
Não prestavam atenção
Aos corpos lindos e despidos que fariam normalmente
Qualquer um desejar tê-los sob o toque das mãos
Eu te via e você não me via
Parecia que eu era invisível pra você
Eu queria parar o que fazia
Pra fazer de alguma forma você me ver!
Mas por motivo que eu desconheço
Mesmo sem saber que o mundo não pode parar de ser feito
Eu continuei o meu ofício
Do jeitinho de um rio que segue seu leito
Do jeitinho que tempo corre
Do jeitinho que a canção se canta
Nenhum verso é livre para não compor poema
Não se escolhe existir, não adianta
E nesse sonho alguém brigava
E eu tentava acalmar as duas,
E elas, juntas, me colocavam pra fora de casa
Que eu deveria era estar no movimento das ruas
E se eu fosse o arquiteto todos me veriam
E nós seríamos príncipe e princesa
Mas meu suor e capacete te afastavam de mim
Como o fogo do dragão e os muros da fortaleza
E só eu via teu corpo bonito
Que o sol doura e a lua prateia
Do jeitinho que a mordida ama a maçã
Do jeitinho que a mosca ama a teia...
Link to this comment:
All Comments (0)