COMENTÁRIOS são muito bem-vindos. E sugestões também! Aliás, qual a sua sugestão de trilha sonora?!
MINHA SUGESTÃO DE TRILHA SONORA: Parece-me mais interessante assistir ao vídeo com músicas que tenham uma batida bem definida e constante. Uma música mais eletrônica é certeira, portanto!
BREVE EXPLICAÇÃO:
O vídeo "A Ameaça do Nada" é o resultado do meu trabalho de conclusão de curso em Direção Teatral no departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). "A Ameaça do Nada" constitui uma experiência teatral concreta no universo da linguagem de vídeo.
A partir daquilo que eu considero a base estrutural do pensamento e ação teatral, construí (construímos) uma sucessão de imagens que captam objetos que considero atraentes aos olhos. Na montagem do vídeo, os elementos fundamentais de tempo e espaço são experienciados em diversas formas, linhas, cores, profundidades, simetrias e assimetrias, sobreposições, repetições, velocidades e ritmos.
Para a maioria das pessoas acredito que o vídeo configure de fato "A Ameaça do Nada" por não conter uma linda história de amor ou a trágica trajetória de uma família -- como esperam os sedentos por playwriting. Entretanto, a minha esperança é que o mesmo constitua uma gama de estímulos visuais à criatividade do espectador em toda a sua simplicidade e complexidade de movimentos.
Guilherme Yazbek
CITAÇÃO: Para aqueles que se interessarem, abaixo está um dos trechos principais da base teórica do projeto, cujo ponto de partida é o teatro concreto:
"O signo remete tão-somente a si mesmo -- mais precisamente, à sua presença. A percepção se encontra relegada a uma percepção estrutural.
(...) Atores, elementos de iluminação, dançarinos etc. se oferecem a uma observação puramente formal; o olhar não encontra nenhuma ocasião para deduzir uma profundidade de significação simbólica para além do que é dado, aferrando-se à atividade de ver as próprias 'superfícies' com prazer ou com tédio, conforme o caso. Uma formalização estética descomprometida torna-se aqui o espelho no qual o formalismo vazio da percepção cotidiana se reconhece -- ou pelo menos poderia se reconhecer. Não é o conteúdo, mas a própria formalização que constitui a provocação: a repetição fatigante, o vazio, a pura matemática dos procedimentos cênicos nos obrigam a experimentar aquela simetria diante da qual nos angustiamos porque ela traz consigo nada menos do que a ameaça do nada. Privada das habituais muletas da compreensão de sentidos, a percepção desse teatro se frustra e é obrigada a se submeter a um modo de ver difícil -- ao mesmo tempo formal e sensorialmente exato --, que certamente poderia permitir uma atitude mais fácil, mais 'solta', não fosse pela frieza provocativa da geometria e pela ânsia de sentido insatisfeita."
[LEHMANN, Hans-Thies. Teatro pós-dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007. Páginas 161, 162.]
Gostaria de ler seu projeto. Grande Lehmann!
marceloapontes 5 months ago
@marceloapontes Total Lehmann a base teórica que mais me influenciouu, certeza.
YazbekGui 5 months ago