Transcrição:
Fon - Essa questão tem dois aspectos. Um é o teórico, que o Sartre tem inclusive um trabalho sobre limite de consciência, que acho que é pertinente. Mas mais importante do que isso, talvez tenha sido o fato de que a própria ditadura impôs aos dois lados a tolerância. A tolerância da Igreja pós-Medellín com o marxismo e a tolerância dos marxistas, até imposta pela derrota diante da ditadura, em relação a uma igreja que se abria para o mundo.
Dom Pedro - E cantávamos aqueles poemas de nossos músicos e cantores. "Todas las sangres, todas. Todas las manos, todas"*. Têm como objetivo o povo. A vida do povo, a melhora do povo. Com isso também se corrigia o pecado de fazer do partido o objetivo, quando o partido é uma mediação. Se você sobretudo pensa no partido você já negou, de fato, o que é a tarefa de um partido voltado para o povo. Depois, o partido e o sindicato, que eram hegemônicos quando se pensava numa luta popular, facilmente se pensava no partido e nos sindicatos, tinham sido relativizados, inclusive em termos de pastoral, porque surgiam dessas várias pastorais. Ele era um espaço apropriado para a luta. Ecumenismo e o macro-ecumenismo. Isso vale para religiões e vale para a política também. Uma boa política tem que ser ecumênica.
* Canción con Todos - A. Tejada Gomez e Cesar Isella
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