Quem viveu o período da Jovem Guarda e curtiu os famosos bailinhos deve se lembrar do The Jordans, um dos principais grupos de rock do início da década de 1960, quando começaram carreira na linha dos ingleses Shadows e dos norte-americanos Ventures. Neste vídeo, a banda executa a dançante "Studio 17", de André Brasseur, gravada no LP de mesmo nome lançado em janeiro de 1966. 0 que distinguia os Jordans de outros grupos brasileiros na mesma linha, como Os Incríveis e The Jet Black's, era o uso de instrumentos pouco comuns no pop-rock instrumental, como vibrafone, bandolim e três guitarras elétricas.
O grupo se formou em São Paulo, no bairro da Mooca, em janeiro de 1956, com Aladdin (Romeu Mantovani Sobrinho), guitarra-solo; Sinval (Olímpio Sinval Drago), guitarra-base; Tony (José de Andrade), contrabaixo; Foguinho (Valdemar Botelho Júnior), bateria; e Irupê (Irupê Teixeira Rodrigues), saxofone e trompete, apresentando-se em clubes. Tiraram seu nome do grupo vocal The Jordanaires, que participava das gravações de Elvis Presley. Apareceram na televisão pela primeira vez em 1958, no programa "Crush em Hi-fi", primeira atração televisiva dedicada exclusivamente ao rock no Brasil, exibida pela TV Record e apresentada por Tony e Celly Campello, principais ídolos da juventude brasileira na época.
Em 1960, Antonio Aguilar os apresentou em um programa da Rádio Nacional, quando conseguiram o primeiro contrato de gravação. O primeiro registro do grupo foi um 78 rpm pela Espaciall Mocambo, o instrumental "Boudah" (G. Dovan e B. Drean), no início de 1961. O grupo lançou Manito (tocando bateria enquanto Foguinho servia o exército) e Mingo, que depois formaram o conjunto The Clevers (posteriormente Os Incríveis). Mais tarde, o trompetista Neno, também do The Clevers, passou a fazer parte do grupo.
Contratado pela Copacabana em 1961, o conjunto gravou vários 78 rpm, LPs e compactos. O primeiro grande êxito foi "Blue Star" (Victor Young Edward Heymann), em 1963, que ficou oito meses nas paradas de sucesso. Daí para excursões pela América Latina e Europa foi um pulo. Em 1968, por exemplo, durante viagem a Londres, tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente os quatro integrantes dos Beatles num restaurante próximo dos estúdios Abbey Road, pois os garotos de Liverpool estavam gravando o histórico álbum branco. Esse inusitado encontro foi documentado em vídeo e exibido no programa Fantástico, da Rede Globo.
Durante o movimento Jovem Guarda, foi um dos grupos mais requisitados para acompanhar os astros da época, tanto em shows como em gravações. "Tema de Lara" (Maurìce Jarre) e "Midnight in Moscou" (I. Dunaeyvsky K. Ball) foram outros dois grandes sucessos do grupo na época. Os músicos também participaram dos filmes "Puritano da Rua Augusta" e "A desforra" (do qual são os autores da trilha sonora). Aladdin saiu da banda em fins de 1968 e o grupo se dissolveu no início dos anos 70. Irupê transferiu-se para o grupo de samba Raça Negra, como saxofonista e arranjador.
Em 1995, com Aladdin, Sinval, Tony, Foguinho e, eventualmente, Manito, o conjunto gravou um disco de reunião, "Bons tempos". Ainda ativo na segunda metade da década de 1990 e com algumas apresentações esporádicas, foi citado em revistas francesas e inglesas como um dos remanescentes latino-americanos do pop instrumental dos anos de 1960.
amigo chico.
¨nossos ídolos ainda são os mesmos...¨,
na minha juventude eu dizia que essa frase não era prá mim.
puro engano, pois eu acho que ¨depois deles não apareceu mais ninguém...¨
lindo, audio e imagens
parabéns e abraço do hamilton.
hamiltonros94 1 year ago
@hamiltonros94 Concordo com você, e também com o Belchior, autor da frase em "Como os nossos pais". Acho que nem é pelo saudosismo. A nova safra de ídolos não tem a mesma "pegada" de outrora, tanto que curto coisas da época em que nem era nascido, apesar de reconhecer talento em alguns artistas contemporâneos. Quanto ao The Jordans, considero uma banda competente, e nesta música em particular me lembra muito o Herb Alpert's Tijuana Brass. Abs.
Chico
FFukushima 1 year ago