René de Obaldia retrata em " O Defunto " a vida de duas mulheres que se encontram e revelam o inusitado, suas mazelas e tudo o que é considerado "normal" numa sociedade hipócrita. Com forte ironia o texto vai mostrando as neuroses das personagens, se intensificando a cada fala.
Julie é uma mulher sofredora, que diz chegar as ultimas conseqüências, se caso isto trouxesse seu marido de volta, revelando sua despersonalização e desgraça. Madame Cavan nunca conheceu o homem com o qual se relacionou, ficando perplexa com as revelações feitas pela esposa.
O texto é atemporal, não há referencias a tempo e local, o defunto é idealizado como sendo o par perfeito, um herói, esta sempre nas falas dessas duas mulheres carentes e dependentes deste ser, criando uma teia de relações conflituosas com ambas, de perdas, falsidades, desilusões, buscas , rejeições, traições.
Nesses conflitos as personagens se encontram e se perdem mostrando a monstruosidade de um homem amoral num círculo vicioso de encontro. O que resta no final são as atrizes, numa tentativa de se encontrarem para assim inventarem uma realidade cênica; onde se questionam a mulher, suas dependências emocionais de um homem e seu vazio existencial.
MÚSICA: Chanson D'amour - Edith Piaf / A Quoi ÇA Sert L'amour
Édith Piaf /
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