Coordenadora da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia fala contra o Estatuto da Igualdade Racial, defende a identidade mestiça e denuncia o conflito racial que está ocorrendo na região gerado pela imposição da identidade negra aos mestiços e caboclos pelo governo federal (video da Agência Câmara).
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A SRA. ELDA CASTRO DE SÁ - Bom-dia a todos.
Gostaria de, na pessoa do Sr. Presidente, cumprimentar os integrantes da
Mesa.
Sou representante da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia e
venho a esta tribuna fazer um apelo aos Parlamentares, pois nós que somos da
Amazônia, que representa cerca de 50% do território brasileiro, hoje vivemos sem
políticas públicas voltadas para os caboclos e ribeirinhos. Classificam-nos hoje como
negros, de acordo com o Estatuto da Igualdade Racial. Somos descendentes de
europeus e brancos.
Não nos queiram impor uma identidade. Segundo a Constituição Federal, a
autodeclaração é um direito de cada pessoa.
A guerra começou na Amazônia. Para nossa infelicidade, índios, negros,
mestiços, caboclos e ribeirinhos estão em pé de guerra, porque o Governo Federal
nos impõe uma identidade.
Sr. Presidente, quero aqui manifestar o meu repúdio ao Governo Federal,
porque temos identidade própria.
Vocês que são do Sul e do Sudeste visitem a Amazônia para conhecer a
nossa realidade. Não queremos ser colônia de Brasília, queremos ser parte de
Brasília, da Federação brasileira.
Os negros na Amazônia saíram de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de São
Paulo, de Brasília. Assim é formado o movimento negro na Amazônia. Saí do meu
Estado para vir a Brasília fazer essa denúncia.
É preciso que haja políticas para os negros, mas não é preciso destruir outras
identidades.
Deve haver reparação, é claro, pois o povo negro foi trazido como escravo
para este País, mas não é preciso dizimar os caboclos que vivem na Amazônia e
lutam pela preservação ambiental.
O aquecimento global é cada vez maior, e nós, os povos da floresta, lutamos
pela preservação da natureza. Se não cuidarmos da nossa floresta, a nossa região
se tornará uma savana, resultado do aquecimento global e da agressão à camada
de ozônio.
É preciso que nossa identidade seja respeitada. Quando vou às conferências,
comungo com o movimento negro, com o movimento quilombola. Concordo com que
é preciso estarmos à frente de movimentos que lutam pela igualdade, mas pela
igualdade para todos, sem excluir ninguém. Aquele que foi oprimido não pode se
tornar opressor. Somos todos cidadãos brasileiros e merecemos respeito.
Muito obrigada. (Palmas.)
Copiado das notas taquigráficas (Câmara dos Deputados - Brasil).
O absurdo é que resiste o mito de o Brasil ser uma nação negra. Filho de japonês com índio = negro; Filho de índio com branco= negro; Filho de japonês com índio= negro; Somando toda as misturas raciais brasileiras que não envolvem 2 brancos, chega-se aos ridículos mais de 50 por cento de população negra no Brasil. E tudo para não reconhecer e dar assistência igualitária às outras culturas aqui existentes, como a cabocla.
LusoAmazonicos 2 years ago 14
Não é questão de querer ser ou não, a questão é que boa parte não é, mestiço é mestiço, negro é negro. Muitos mestiços não tem descendência negra, são brancos com índios, e no entanto recebem um carimbo na testa como negros.
20pinoquio 2 years ago 6