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Hélio Saboya Ribeiro dos Santos

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Uploaded by on Jan 18, 2011

Hélio Saboya

André Urani*

Na única vez em que concorreu a um cargo eletivo, não se elegeu.

Era, no entanto, um homem Público (com P maiúsculo), cuja trajetória deveria nos servir de inspiração neste momento em que o Rio procura se reinventar e em que as práticas políticas precisam ser renovadas. Em tempos em que ninguém agüenta mais o espetáculo deprimente do despudor e da voracidade do toma-lá/dá-cá em que se trocam secretarias, ministérios e presidências de estatais por um punhado de votos no Congresso Nacional ou na Assembléia Legislativa, o exemplo de Sabóia mostra que outras maneiras de fazer política são possíveis.

É possível estar do lado certo, em diferentes momentos da História. Saboya evoluiu ao longo de seu tempo. Envolveu-se na reforma agrária no início dos anos 60 -- quando a maioria dos pobres brasileiros ainda morava no campo e em que a redistribuição da terra em bases mais equitativas poderia ter evitado o inchaço de nossas metrópoles; militou pelo restabelecimento do estado de direito; liderou a luta conta o crime quando a segurança pública parecia estar escapando de todo e qualquer controle.

É possível ter passagens pelo governo, de diferentes colorações partidárias, sem perder a honradez: Saboya trabalhou no governo Jango, na reforma agrária, e no de Moreira Franco, chefiando primeiro a procuradoria geral do Estado, depois a Polícia Civil.

É possível ter uma atuação pública relevante sem abrir mão de uma carreira bem-sucedida no setor privado: Saboya era sócio de um dos grandes escritórios de advocacia da cidade, desde 1956 -- quando ainda era estudante de direito (prova de seu espírito empreendedor).

É possível fazer a diferença, mesmo em temas espinhosos, atuando desde a sociedade civil: afinal de contas, foi ele que, em meados da década de 90 (quando uma onda de seqüestros aterrorizava o Rio) mobilizou um grupo de empresários para criarem a Associação Rio Contra o Crime, que deu origem ao hoje merecidamente célebre Disque-Denúncia.

Caberá a nós valorizar o seu legado. Tomara que sejamos capazes.




* Economista, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS).

Musica: Terceira Sinfonia de Copland, por Bernstein e NYP

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