From the album "O vazio tem um nome" 2006, an eclectic instrumental album by Andre Staltz. Guitars were recorded and the remaining instruments were digitally performed on a computer program.
-----
Tudo tão estático. Existência. Tempo. Movimento ao nível mais minúsculo. Rédeas controlando o desespero de captar o que não precisa ser captado, e que é tão normal quanto a inspiração daquele fluido invísivel que me mantém vivo. Lágrimas sem motivo; reservadas por dentro. Sem ânsia de saírem, coçam minha mente a cada sístole.
Porque essa interrogação me aflige, se não sou capaz de respondê-la? Nem repelí-la. Somente existo; e consigo, consigo sim, me ver. Me vejo de fora pra dentro, uma pessoa, um lugar, uma vontade de escrever, e milhares de objetos estáticos ao redor. Eu sei, tenho certeza, eu não sou eu! Mas sei, aquele sou eu! Posso contar a história dele como uma narração em 3ª pessoa, aos detalhes; e ainda há algo errado.
A história que eu conto não passa pela imaginação nem atinge o papel. Eu nem sequer conto a história. Ela está acontecendo, e não pára. A simultaneidade dos eventos não me dá um intervalo para identificar os processos. Talvez se eu ficasse o mais parado possível eu poderia prestar atenção em tudo, mas não. Repito meu nome, meu nome, meu nome. Este rosto não é meu. Este sou eu? Ou eu sou a interrogação? Me situo, e realmente não há nada sobrenatural ocorrendo.
O vazio tem um nome.
Link to this comment:
All Comments (0)