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CQC Maluf

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Uploaded by on Aug 18, 2011

Falar mal da democracia e do sistema representativo não é passatempo de iletrados e desdentados que procuram mote para conversas em butecos e campinhos de várzea. Homens de estirpe como José Saramago e Noam Chomsky já professaram sua descrença no modo de organização política da maioria dos países ocidentais. No Brasil, "os políticos corruptos" poderiam ganhar um lugar muito especial no panteão de deuses e divindades, já que são evocados, reclamados, sempre mencionados, atacados e nunca atingidos. Na história recente do país, ospolíticoscorruptos exercem um papel fundamental, influenciando diariamente o curso da vida de cada cidadão, mesmo sendo esse ser amorfo, essa massa sem nome, essa entidade poderosa, inabalável e distante.


Ao levar o deputado Paulo Maluf para as ruas para um encontro cara a cara com os transeuntes, os protagonistas do programa CQC desfazem o grande amálgama, dando nome e sobrenome a pelo menos uma unidade que forma o conjunto. Não existe mais uma grande questão intangível, a corrupção; existe apenas o político, de carne, osso e terno a minha frente. Tudo é extremamente pessoal, o que eu, fulano de tal, opino sobre o deputado Paulo Maluf, que me escuta e me vê.


Os mediadores do embate estão sempre em cena, catalizadores de encontros constrangedores. Eles colocam Maluf na linha de tiro, e não é acidentalmente. Eles não defendem nem atacam ninguém, mas não há a menor possibilidade de acreditar em sua imparcialidade. Mesmo sem emitir nenhuma opinião, sabemos que s donos do microfone acreditam na extrema culpa de Maluf, (se assim não fosse, pra que metê-lo em uma van e jogá-lo as feras?), mas não são agressivos com o tal político, e também não salvam o transeunte do embaraço e completa falta de jogo de cintura.


O CQC arma o ringue para o combate e coloca-se na cadeira mais confortável para ver a luta. O político é confrontado, mas o público também se vê questionado na sua passividade escondida na polidez. O dispositivo tenta desnudar o corrupto e o covarde, e ao ver os braços abertos de Paulo Maluf em direção aos eleitores, entendemos a força da tal entidade sem nome que assalta cofres públicos e nos deixam com vergonha de nossa própria opinião.

Category:

Comedy

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