Meu nome é Ozias Alves Jr. Sou editor do jornal Biguaçu em Foco, da cidade de Biguaçu, situada a 17 quilômetros ao norte de Florianópolis, em Santa Catarina.
Nas horas vagas, venho pesquisando um dialeto alemão em vias de extinção ainda hoje falado na região de Biguaçu e no município vizinho de Antônio Carlos.
Trata-se do Hunsrück, como se chama o dialeto alemão mais antigo da história do estado de Santa Catarina.
Por incrível que pareça, essa língua nunca foi estudada. Minha pesquisa é pioneira na área, ou seja, na variedade falada na Grande Florianópolis.
Mas o "incrível que pareça" não se resume a apenas neste detalhe.
Durante a pesquisa, descobri um fato inusitado: há quatro cidadãos moradores de Biguaçu e Antônio Carlos que não falam português.
Detalhe: Eles não são estrangeiros. Essas quatro pessoas nasceram e se criaram na região, têm acesso à televisão e rádio, vivem no meio de falantes de português, mas não sabem falar português.
Eles só falam o dialeto alemão em vias de extinção, o já citado Hunsrück.
Como escreveu certa vez William Shakespeare, "há mais coisas entre o céu e a terra do que imagina sua vã filosofia".
Convido os telespectadores a conferirem essa história sem sombra de dúvida instigante.
Afinal de contas, como é possível haver pessoas nativas de um país que não conseguem aprender o idioma oficial e só se expressam num dialeto em vias de extinção?
Esta é uma reportagem do jornal Biguaçu em Foco. Site: www.jbfoco.com.br. E-mail: reportagem@jbfoco.com.br.
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