Uploaded by nucleofilateliafaro on May 13, 2010
António Aleixo, por muitos considerado um dos mais destacados poetas populares portugueses, nasceu a 18 de Fevereiro de 1899 em Vila Real de Santo António, filho de José Fernandes Aleixo e de Isabel Maria Casimiro, ele natural de Loulé (S. Clemente) e ela natural de Vila Real de Santo António, tendo sido baptizado e 24 de Junho do mesmo ano na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação (Vila Real de Santo António).
Não teve vida fácil, sendo-lhe conhecidas várias actividades, todas elas quase que mendigando o pão que lhe matava a fome não foi uma pessoa rica, mas a grandeza da sua riqueza, quer como poeta, quer como pessoa definia bem aquele que é o algarvio-poeta mais conhecido
Foi poeta de feiras, foi poeta de tabernas, onde, em convívio e a pretexto de tudo e de nada, debitava algumas quadras, algumas vezes a pedido, outras a responder a alguém que o picava e que ele, com a sua mestria de observador aproveitava alguns traços caricaturais.
Pessoa simples, de uma humildade extrema, semi-analfabeto sabia ler, mas mal escrevia, não foi de modo nenhum um letrado, mas grande amigo de homem de letras de reconhecido mérito, contudo, não foi a sua condição que o coibiu aquela que é a obra poética popular mais conhecida em Portugal.
Conhecemos-lhes algumas profissões, como cauteleiro, guarda de polícia, tecelão, guardador de gado e até pedreiro, trabalho este que exerceu quando emigrado em França, para onde se deslocou à procura de uma vida melhor. Foi ainda cantador em feiras e mercados ao mesmo tempo que vendia a sorte a outros sem nunca ter encontrado a sua. Ele mesmo fez a sua autobiografia numa das suas quadras:
Fui polícia, fui soldado
estive fora da Nação,
vendo jogo, guardo gado
só me falta ser ladrão.
A doença apoderou-se dele, lembremos que estamos no início dos anos quarenta do passado século, esteve internado no Hospital de Covões (Coimbra) a 28 de Junho de 1943 e, é nesta cidade que faz novas amizades, o escritor Miguel Torga e o artista plástico António Santos (Tossam). Nos últimos anos da sua vida, parece só conhecer o caminho Coimbra Loulé e Loulé Coimbra. Faleceu de tuberculose a doença dos pobres, em Loulé a 16 de Novembro de 1949, doença que já vitimara também a sua filha.
Francisco Matoso Galveias
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