António Variações - Humanos - Muda de Vida - Sic Noticias - 05-12-2004
Entre Braga e N.Y. Um ciclone "Folk-Pop"
Nascido a 14 de Dezembro de 1944 e morrendo (de, na altura, "doença desconhecida") em Junho de 1984, António Variações deixou editados 2 discos em rota de colisão com um país pseudo-colorido ("Anjo da Guarda" - 1983 e "Dar e Receber" - 1984), "arranjados" e gravados em parceria com o Grupo Novo Rock e os Heróis do Mar, respectivamente.
Em 2004, eis que as velhinhas "K7" BASF de 60 minutos (43 delas ao certo), repositório último das ideias de António, deram para algo mais do que umas interpretações de Lena d`Água ou um disco de raridades inéditas, e repescando o "modus operandi" que conduziu aos álbuns anteriores, as "K7`s" deram azo a "Humanos", o disco e o projecto, que estrategicamente revelado nas vésperas das grandiosas festividades em honra do nascimento do Deus menino, devolvem-nos o convívio, refrescado, da pertinência Pop da obra de António V..
Humanos somos todos e "Humanos" são os arranjos de Hélder Gonçalves (Clã) e Nuno Rafael (cúmplice de Sérgio Godinho) com as interpretações vocais de Camané, Manuela Azevedo (Clã) e David Fonseca (agora em nome próprio). "Humanos" são as músicas que António cantou, pateou e trauteou com aquela sua urgência para "K7`s" ranfonhas e que os outros "Humanos" arranjaram, descodificaram e agora nos mostram respeitando a co-autoria com António.
Não é a arca de Pessoa, são as "K`s7" de Variações, a profundidade é muito menor mas a existência está também lá guardada à espera que a descubram sem que a violentem.
Um disco que nos trás a escrita (mais propriamente: o canto) estranha de Variações, em que cada canção é como um carrossel de refrões; mostram-nos a cidade sem nos esconder o cheiro a sardinha assada e as nódoas de vinho tinto na toalha florida.
E assim temos: "A Teia", uma perseguição em toada "country" chula, cantada por Manuela Azevedo que se responsabiliza também por "Muda de vida", (as Pop as it can be!), quem ficar imune a esta simplicidade existencial, ou está morto ou é alvo da minha inveja, correndo o risco de não perceber a actualidade musical de "Amor de Conserva", candidato a "single" fosse este um disco dos Clã!
"Quero é viver", a voz de Camané, desassombradamente próxima do sentir de António numa das músicas mais felizes e eficazes deste lote que anda de braço dado com "Maria Albertina" onde tudo (o tema, o ritmo, a letra, a intenção, os instrumentos) é Variações.
"Na Lama", David Fonseca a cantar tão informalmente (e em Português, claro) como nunca tinha feito, fica-lhe bem. A ouvir também "A culpa é da vontade" (versão abaladada de um "corpo é que paga"), "Gelado de Verão", "Já não sou quem era" e "Não me consumas mais".
Destaque ainda para "Rugas" (lento tango dançado a meias com a 2ª e a 3ª idade) e "Adeus que me vou embora" (música que vive do fado castiço, aquele que se canta fora de Lisboa e Coimbra, em terras destituídas de maresia).
Uma ideia muito feliz, bom material e um "casting" certeiríssimo! É pena a minha avó não estar viva para termos outra vez um disco que pudéssemos ouvir a 2 na telefonia da cozinha.
Daniel Marques Pinto
Olha que a vida não
não é nem deve ser
como um castigo que
tu terás que viver.
Simplesmente Genial e mais, não se esqueçam de pensar nisto todos os dias.
xixefiles 4 years ago 8
parabens à brilhante e excelente descriçao :)
enqto lia, bebias estas simples palavras * magnifico!!
:)
0rff 4 years ago 4