Disparada
(Geraldo Vandré e Théo de Barros)
II Festival de Música Popular Brasileira
Segundo dizem, o resultado de Festival só saiu 37 anos depois.
Olha, negão. Não brinca muito quando você for cantar minha música porque ela é coisa séria. Era Geraldo Vandré convidando Jair Rodrigues para defender Disparada no 2º Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 1966.
O concurso era mesmo coisa séria. No País não se falava em outra coisa. A moda de viola moderna de Vandré e Théo de Barros dividia a preferência do público com a marchinha A Banda, de Chico Buarque, interpretada pela voz doce de Nara Leão.
No dia da decisão, 10 de outubro de 1966, surpresa. As duas canções venceram, empatadas. Mas a história não acaba aí. Trinta e sete anos depois vem a revelação do jornalista Zuza Homem de Mello, que trabalhou no festival como técnico de som: A Banda, na verdade, havia vencido por 7 votos a 5. Ao saber do resultado com antecedência, Chico negou-se a receber o prêmio sozinho. Achava Disparada muito superior.
Letra:
Prepare o seu coração
Prás coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar...
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar...
Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu...
Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei...
Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente...
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei
Ola meu amigo, mandou bem. Essa belissima musica é um marco na historia da musica Brasileira. Voce quase se perde, mas se recuperou a tempo e deu um show....5*
MrBislly 8 months ago
Obrigado por seu edificante comentário, @MrBislly
wisleysti 8 months ago
Parabéns Amigo.
Muito bom recordar esse acontecimento.
pingothedrop 1 year ago
@pingothedrop: Concordo contigo, é bom recordar o acontecimento e as canções daquele tempo, que estavam cheias de significado... tempo em que o comercialismo e a ganância ainda não tinham exilado no anonimato nossos grandes compositores e músicos.
Muito obrigado por sua visita e comentário. Forte abraço,
Wisley Vilela.
wisleysti 1 year ago
Eu tava vendo os vídeos do festival de 66, e Chico que me perdoe, mas Disparada merecia o 1º Lugar. Aposto que até o próprio Chico concorda!
Abraços, e bela interpretação.
CassioViolao 1 year ago
@CassioViolao Muito obrigado, Cássio! Seus comentários são sempre muito apreciados!
Forte abraço,
Wisley Vilela
wisleysti 1 year ago