"Memórias do Subsolo" (1864), a novela que anuncia o Dostoiévski (1821-1881) de "Crime e Castigo" e "Irmãos Karamazov", é um compêndio dos ataques desse homem ao racionalismo. O monólogo homônimo, adaptado por Ana Saggese e Mika Lins, amplifica essa crítica.
Confinado num subsolo ordinário, sem identificação espaço-temporal, um sujeito vil despeja sua bile contra as convicções inabaláveis dos "homens de ação", aqueles que escrutinam enciclopédias, manuais e bulas em busca das respostas, soluções e curas para toda dúvida e todo mal. Prefere a inércia.
O espaço cênico, um triângulo entrecortado por fios que vão do teto ao chão, acirra a clausura do personagem e remete aos retratos disformes, solitários, de Picasso e Francis Bacon, que captavam a brutalidade do fato.
(...) Mika Lins avança de forma brilhante para dentro desse personagem, ao encarnar um homem com gestos exatos e meticulosa composição vocal. Um espetáculo que anuncia Cássio Brasil como um novo diretor que tem o que dizer.
Jefferson Dell Rios -- Estado de São Paulo
(...) Mika prova que a paciência em estudar o personagem a fundo antes de concretizar o projeto foi sua grande aliada. Em cena, ela equilibra amargura e ironia ao dar vida a um funcionário público enjaulado no subterrâneo de um prédio. Sem exagerar nos trejeitos nem cair na caricatura, transmite veracidade e deixa a platéia com a sensação de ter estado realmente diante de um homem.
Dirceu Alves -- Revista Veja
Mais de 100 anos, mas, ainda mexe na ferida de tanta gente contemporânea, e as nossas doenças...
takezosan 3 months ago
Espetacular! uma interpretação impecável!!
SileneMadalena 4 months ago