5ª parte - Livro Conversa Rimada na Rádio Roquette Pinto

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Uploaded by on Jan 18, 2008

Quinta parte da entrevista concedida por Luhli e Felipe Cerquize, ao Tibério Gaspar, na rádio Roquette Pinto (FM 94,1 - RJ), no dia 15 de janeiro de 2008.

Tibério Gaspar lê a poesia GOTA DE AREIA (Felipe Cerquize), Luhli, Tibério e Cerquize fazem comentários sobre essa e outras poesias do livro. Cerquize comenta sobre as poesias já musicadas (GOTA DE AREIA, por exemplo, é uma parceria com Eduardo Franco). Tibério Gaspar coloca no ar a música EMBOSCADA (Luhli e Cerquize), cantada por Luhli (segunda, abaixo).

1

GOTA DE AREIA
(Felipe Cerquize)

Braço de areia que invade o mar.
Restinga com água cristalina
de beleza singular.

No talo de sua gota
existe um continente.
No halo do seu entorno
um sol resplandecente.

Não poderia deixar de estar aqui,
já que você me permitiu.

Entre um salto de um peixe voador
e o balé de uma imensa raia,
admiro esta gota de areia,
grão por grão,
analisando a sua composição.

Areia branca, pele morena.
Braços, abraços,
seu rosto em cena

Se a gente fosse alguma coisa aqui,
seria dois pontos e pronto,
como um trema em plena terra firme

Mas é certo que a gente é importante,
pois, se não houvesse nossas vidas,
não haveria nem água cristalina
nem areia branca e fina.

(Poesia musicada por Eduardo Franco)

2

EMBOSCADA
(Luhli e Felipe Cerquize)

Anota agora tudo que eu te digo, me registra
Num gravador barato
Fotos que sirvam de abrigo, arquivos

Da memória no retrato
Na parte interna da minha cabeça
No lobo pragmático da mente
Não quero que o dia anoiteça

Mas beijo a noite que se faz presente
Piscar de olhos que te fotografam
Acenos que me velam e te revelam
Paredes da memória que se esbarram

Esquece, esquece agora
Esquece tudo que eu te disse
Esquecimentos servem de emboscada
De tudo que eu me lembro ou quase nada

Esquece, esquece, esquece agora
Porque o que eu falei não faz sentido
A máquina moderna da mesmice
Repete o mesmo sonho colorido

Mas beijo a noite que se faz presente
Piscar de olhos que te fotografam
Acenos que me velam e te revelam
Paredes da memória que se esbarram

E trazem dores que me desmantelam
Motivos pra lembranças
Esquecimentos são de emboscada
Nas curvas e retas das veras semelhanças
De tudo que me lembro ou quase nada

Esquece, esquece, esquece, esquece agora
Porque o que eu falei não faz sentido
A máquina moderna da mesmice
Repete o mesmo sonho colorido

Mas beijo a noite que se faz presente
Piscar de olhos que te fotografam
Acenos que me velam e te revelam
Paredes da memória que se esbarram

Esquece...


Comunidade do livro CONVERSA RIMADA no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38152975 . Participe!

Category:

Entertainment

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