O Sonhar
por Ana Recalde
Olhar para a rua e não encontrar ali o rosto que eu gostaria de ver
E mesmo de olhos fechados saber
que o rosto que enxergo não é real,
não é nada do que eu imagino.
Devaneio inútil que aprisiona meu coração
em poesia aprisionada em prosa
Versos que não são versos, conceito quebrado.
E o toque onírico que me impede de deixar apenas evanescer.
Uma doce mentira, aquilo inexistente.
Dois seres que não se conhecem,
que observam de longe, que temem o íntimo.
E que bem traria a verdade se nela encontraria apenas o fim do sonho?
Então que seja o abraço temeroso, o sorriso cauteloso.
Presa em versos impublicáveis,
que nunca serão lidos ou compreendidos.
Inveja, desejo, terror, dúvidas, paixão,
escondidos por palavras amenas e suaves!
Covardia de se perder algo que nunca foi seu.
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