Há um ano, em banquei o chato aqui nesta coluna. Escrevi sobre hardware e reclamei como um tio ranzinza. A questão: porque o hardware de um computador não muda na essência? Um teclado hoje tem quase o dobro de botões que tinha há dez anos. Já funciona sem fio. Conecta por USB. Mas continua um teclado. Chato. Anti-anatômico. E na mesma formatação de teclas chamada QWERTY, que não muda desde que o dispositivo foi criado em 1860. Ou seja: o teclado onde escrevo esta coluna é praticamente o mesmo há 147 anos. Onde está o "dinamismo vertiginoso da informática"? E o mouse? Continua gerando tendinite. E o monitor? Continua uma paródia de televisão. E a CPU?
Um ano depois de escrever a coluna vem a surpresa. A maior novidade de matéria de hardware sai da... Microsoft. Ela mesma, a "lenta acomodada" empresa de Bill Gates. A mais ousada proposta de hardware de todos os tempos se chama Surface.
Custa, por enquanto, entre 5 e 10 mil dólares. Versões acessívies a um público maior devem demorar alguns anos. Se é que aparecerão.
De qualquer jeito, a Microsoft deu um grande salto com o Surface. Desmontou o velho conceito de computador. De certa forma, nos devolveu à mesa onde se trabalhava antes do surgimento do PC. O computador é a mesa, e vice-versa. A mudança é mais profunda do que parece. O conceito do Surface radicaliza na digitalização do computador. O teclado, por exemplo, não precisa ser mais um pedaço de plástico cheio de teclas. Ele se "materializa" na mesa virtualmente, onde o usuário desejar. O conceito de engenharia é revolucionário. Teoricamente, tudo está permitido. O mouse igualmente deixa de ser necessário. O que é o mouse senão uma interface entre nosso cérebro e um monitor? Já foi uma excelente idéia.
No conceito Surface, você dispensa aparelhos intermediários. A tela é o computador. Você vê uma foto digital na "mesa". Quer mudar de lugar? Desloque a foto com seu dedo, como faria com uma foto de papel. Mude sua posição. Aumente, diminua. Mande para o arquivo. O arquivo, aliás, vai ser outra representação gráfica na tela. Não precisa clicar em "salvar imagem como". Pegue a foto. Desloque para a pasta. A idéia da Microsoft vai além. Na demonstração do protótipo, alguém jogou um cartão com um código de barras sobre a mesa. Ninguém precisou teclar ou clicar nada. Imediatamente, o Surface identificou o cartão e o signigicado da barra.
Futuro próximo. Você chega em casa, joga o celular sobre o Surface. Sem nenhum comando o computador identifica seu telefone, verifica as mensagens, dá o saldo de sua conta, checa a capacidade da memória, faz um backup dos contatos. E tudo o que você fez foi jogar seu celular na mesa. Não tenho a menor idéia se o conceito do Surface vai pegar ou não. Ou se nascerá obsoleto e será imediatamente substituído por um modelo mais inteligente e prático. Ninguém sabe nada.
O importante é o conceito de que os formatos existem para ser mudados, e para melhor. E isso vale para tudo: rádios, fogões, fones de ouvido, controles remotos, telefones, secadores de cabelo, baldes, canetas, salas de cirurgia, cuecas, estações espaciais. Tudo o que é de um jeito não precisa ser daquele jeito para sempre. Os esforços tecnológicos tendem a melhorar as coisas, mas não a reinventar o que parece eterno. A Microsoft quebrou um paradigma que parecia imutável. Mostrou que não precisamos ser escravos para sempre do quarteto CPU-mouse-monitor-teclado. A empresa de 60 bilhões de dólares usou seu capital mais precioso: a imaginação.
MARQUEZI, Dagomir -- Coluna ZAP -- Info Exame julho-2007, p.42.
Caraka imagino a grana que o dono da Microsoft ganha...WooowW..=)
OxydronMazak 3 years ago 3
eu fiquei de queixo caido!!!!!!!
eu tambem trabalho para mudar o futuro do mundo.
estou trabalhando em um computador do tamanho de um telefone celular, ele simula um monitor e teclado virtual (como mostrado nessa mesa) e com um disco rigido de 4 GB (para esse tipo de computador nao e necessario muito espaco mesmo. e isso pessoal o futuro esta na mao de todos
abraco!
marcohotmai 3 years ago 2