Deputado Antônio Balhmann (PSB -CE) - Problemas das estradas federais do Estado do Ceará

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Uploaded by on May 11, 2011

Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, nós temos estes 3 minutos para fazer esta Casa compreender que a indignação do Governador Cid Gomes foi pouco diante do grave problema das estradas federais do Estado do Ceará.
Dou esta explicação, além de todas as razões que os nossos antecessores já comentaram aqui, lembrando que há graves e persistentes índices de acidentes mortais nas BRs do Ceará, graves problemas de demora nas obras inacabadas que existem ao longo dessas rodovias, como as passarelas, as vias paralelas, as suas duplicações e tudo o mais.
Mas há também uma razão econômica muito grave, que é principal talvez, que faz com que nós possamos afirmar que a ausência de rodovias federais no Ceará hoje é uma corda no pescoço da economia do nosso Estado. O Governo Cid Gomes faz um monumental esforço para municiar o Ceará das infraestruturas essenciais nos principais modais de transporte. Os Governos Estadual e Federal, com recursos do BNDS, investem 1 bilhão de dólares na transformação Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

A transformação de um porto equatorial brasileiro de grande calado é estratégico não para o Ceará, mas para o País, na medida em que temos, num cenário para 2014, a ampliação do Canal do Panamá, o que irá valorizar muito a infraestrutura nessas regiões brasileiras.
Pois bem, são investidos os próprios recursos e esforço do Governo Federal e um monumental esforço do Governo Estadual, mas não há estradas adequadas. E mais, o modal rodoviário do Ceará está completamente comprometido para viabilizar os recursos a serem investidos no modal marítimo, para citar apenas um exemplo.
A Transnordestina está sendo construída, com mais de 4 bilhões de reais sendo aplicados para ligar os dois principais portos do Nordeste às novas áreas exportadoras brasileiras. Em especial, as cargas que hoje saem do Centro-Oeste e descem para Santos e Paranaguá deverão subir para a região equatorial e sair do Brasil pelo Porto de Pecém e pelo Porto do Suape. Não há estradas federais adequadas para que essa nova realidade, que consideramos a revolução da logística brasileira, possa favorecer que esse novo fluxo se afirme no Brasil.
E aí nós vemos uma grande revolução acontecendo no modal ferroviário: o Governo do Estado está planejando a execução de mais de sete complexos intermodais ligando rodovias a ferrovias no interior do Ceará. Não hárodovia federal para que esses intermodais sejam eficazes e cumpram seu papel de promover o desenvolvimento no interior.

E, assim, o Governador não reverbera somente a angústia do povo cearense pelo incômodo ao se deslocar pelas estradas federais do Ceará. Ele reverbera também o grande protesto dos empresários cearenses. Na rodovia onde o Deputado José Linhares, o Padre Zé, estava dizendo que circula hámais de 20 anos, nós temos a maior planta industrial de calçados do País, a segunda do mundo, que manda seus containers para o porto, mas não há estrada para transportá-los para as empresas exportadoras do Ceará.
O mesmo exemplo, Sr. Presidente, temos na indústria de calçados. Somos hoje o maior exportador de calçados do Brasil em quantidade. Todas as indústrias estão no interior, e não há estrada nem modal adequados nas rodovias federais para levar essas cargas para o porto do Ceará.

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