Abertura da novela "Beto Rockfeller" (TV Tupi, 1968/1969).
"Beto Rockfeller" estreou na TV Tupi às 20h em 04/11/1968, permanecendo até 30/11/1969, com 298 capítulos exibidos ao longo de quase 13 meses no ar. Foi uma criação de Cassiano Gabus Mendes escrita por Bráulio Pedroso e dirigida por Lima Duarte e Walter Avancini.
Beto Rockfeller (Luiz Gustavo) vive com a família de classe média-baixa na cidade de São Paulo: a mãe Rosa (Eleonor Bruno), o pai Pedro (Jofre Soares), e a irmã, Neide (Irene Ravache). Ele trabalha como vendedor de sapatos, e namora Cida (Ana Rosa), uma garota do subúrbio. Ambicioso, Beto se faz passar por um grã-fino milionário e consegue com essa mentira o que mais almejava: entrar na alta sociedade, quando começa então a namorar a ricaça Lu (Débora Duarte). Porém, Beto acaba se apaixonando por uma grã-fina em decadência, Renata (Bete Mendes), que sabe da sua real posição social. Mas ele, para se safar das confusões formadas em torno disso e consequentemente acabar criando outras confusões ainda, conta com a ajuda dos grandes amigos Vitório (Plínio Marcos) e Saldanha (Ruy Rezende).
Em certo momento da trama, Bráulio Pedroso, cansado já que a novela era sempre esticada pela emissora, abandonou a autoria deixando os textos para Eloy de Araújo e Ilo Bandeira, os quais podemos ver creditados nesta abertura. Lima Duarte também se ausentou, sendo substituído por Walter Avancini.
Elenco de acordo com esta abertura:
Maria Della Costa
Luiz Gustavo
Walter Forster
Plínio Marcos
Renato Côrte Real
Débara Duarte
Bete Mendes
Ana Rosa
Jofre Soares
Irene Ravache
Heleno Prestes
Rodrigo Santiago
Eleonor Bruno
Wladimir Nikolaief
Dalva Dias
Rafael Loduga
Walderez de Barros
Jaime Barcelos
Yara Lins
Zezé Motta
Marta Overbeck
Rui Rezende
Teodoro Marcos
Luísa de Franco
e Marília Pêra.
Há ainda outros atores não creditados aqui, como Pepita Rodrigues, Etty Fraser e o próprio diretor Lima Duarte que também chegou a interpretar 5 papéis durante a novela (!), entre outros.
"Beto Rockfeller" foi uma obra inovadora, pois diferia das tradicionais novelas até então, que em sua maioria mantinham o estilo de capa e espada, dramalhões centrados em épocas passadas, num universo ficcional de castelos, calabouços e masmorras, por exemplo, com histórias mais sombrias e distantes da realidade brasileira. Já "Beto Rockfeller" não; possuía uma história contemporânea recheada de personagens identificáveis com a realidade dos brasileiros. Não havia os tradicionais "vilão cruel" e "mocinha coitada", mas sim diversos personagens como qualquer pessoa que tem suas atitudes boas e más conforme percorre a vida. A obra inovou também utilizando a linguagem coloquial e cotidiana nos diálogos, e deixando de lado as interpretações exageradas e dramáticas para se basear agora na naturalidade em cena, o que também colaborou para trazer a obra para mais perto da realidade e do público. Há ainda um outro mérito de "Beto Rockfeller": foi a 1ª novela a utilizar tomadas aéreas, em que os técnicos voavam de helicóptero para gravar cenas.
A novela jamais foi reprisada. Em 1970 foi feito um filme homônimo, protagonizado pelo mesmo Luiz Gustavo. Em 1973, Bráulio Pedroso escreveu "A Volta de Beto Rockfeller" com parte do elenco original, mas o sucesso não se repetiu tão grandiosamente como era previsto.
De acordo com uma Edição Especial da "Revista Contigo!", hoje existem apenas 7 dos 298 capítulos da novela. Tudo o mais foi apagado dos arquivos para a reutilização das fitas ou queimou em incêndios da emissora. Ainda de acordo com a Edição, com "Beto Rockfeller" a TV Tupi tentou uma façanha inédita até então: vender uma novela brasileira para o exterior. Mas não obteve sucesso. Somente anos depois é que uma novela nacional foi vendida para outro país pela 1ª vez: "O Bem-Amado" (TV Globo, 1973 - vendida para o México em 1975).
Um dos grandes marcos da teledramaturgia brasileira, "Beto Rockfeller" é bastante lembrada até hoje, mesmo 40 anos depois.
A música é The Bright Lights & You, do disco A Portrait of Ray, de Ray Charles, lançado em 1969 pela ABC Records. Foi relançado em CD em 2005, pelo label francês Magic, com 5 faixas adicionais. Fino e raro.
Brylhante 2 years ago 4
Obaaaaa!!!
Há ANOS eu estava atrás dessa música!!!!
tparanhos0103 2 years ago 2