Uploaded by johnfynn on Aug 2, 2007
Um pequeno delírio em forma de prosa poética, declamado sem pretensões nenhumas senão passar um bom bocado!
Insinuantes saias
formas de perfeição escondida num artefacto
acessórios de beleza, esperteza e frieza
arregalo os olhos perante a singeleza delas
o trivial que nunca sabe a normal
sentidos meio atordoados do sono recente
pouco aconchegante, pouco aquecido de fervor
Apenas me lembro da saída do comboio
da passagem pelo túnel a cair de podre
olhos arregalados para uma tragédia?
Não, apenas para a chegada
para a fuga aos odores nauseabundos
para ver as saias subidas
no trivial que nunca sabe a normal
E depois dou um jeito nas calças de fazenda
na gravata barata de supermercado
puxo os óculos para cima
e finjo que nem vejo as saias
antes as golas subidas
as formas enternecidas
trespasso-as e elas nem me olham
apenas indiferença, ou talvez cio
É tempo de descer as escadas rolantes
o cheiro pestilento
faz lembrar o mesmo de todos os dias
e todos, os mesmos dos cinco dias da semana
dos súburbios mais ou menos sujos
descemos
nas calças de fazenda
nas saias subidas
no cio para o Rossio
Ah o cheiro dos Restauradores
o fumo inalado dos escapes
da Avenida que ao perto mostra a sua fama
de mais poluída da Europa
diria que do mundo, do meu mundo
e os sapatos de marca esquisita
pisam o chão na confusão dos semáforos
Mas não, hoje não vou descer ao Rossio
saio aqui a meio, onde os pombos dormem
onde a merda dos sem abrigo tresanda
por entre as calças de fazenda
e as saias subidas
vou passar ali mesmo em frente à casa de strip
em descanso matinal,
para o febril rebuliço nocturno
que não vou desfrutar
E as escadas desço-as
pensando no dia em que desço de vez
chegando lá abaixo em cacos de existência empedernida
lanço um sorriso perante a ideia
e a saia lá sobe um pouco mais
e quase que caio para cima dela com a excitação
da ideia de ficar partido em cacos
Ah então cá vou eu a caminho do buzinão
do fumo dos tubos de escape
humanos e com carroçaria
cavalos únicos e também de muita potência
em frente uma livraria
mas a má disposição não permite esperar
ver o mesmo do dia anterior
como as saias subidas que já perdi de vista
e convém não desviar do caminho
o tempo é curto e pode não haver tempo
para a dose de cafeína matinal
para o copo com água desinfectada
O tempo é de ouro, ah a Rua é a do Ouro
apenas a tempo de me desviar para a esquerda
cuidado com os presentes dos canídeos
com as subidas e descidas do passeio
da calçada bela
e lá está a Rua Augusta
e ao longe o Arco
Há uma Igreja perto
por entre uma rua movimentada
onde os crentes stressados abrandam as vontades
de matar, esfolar e maldizer
para depois seguirem com a mesma vontade anterior
mas não é para a Igreja que eu vou
entro, então e choro por dentro
sorrindo para todos os que me rodeiam
apesar do Arco triunfante do meu lado esquerdo
estar cada vez mais sujo
e cheio de vendedores ambulantes
que até transaccionam à vista dos que não precisam de ver
E adeus que se acabou a história
já vem a polícia lá ao longe
virão buscar-me?
Ah pois, as saias subiram mais onde não deviam ...
Manuel Marques
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Muito interessante e poética.
Obrigado Rosa por compartilhar.
Valeu!!!!!
ruberfc 2 years ago
Uma bela narrativa do cotidiano, excelente.5*. Valeu Rosamoritz por enviar.
bislly 2 years ago 2
Prosa poética descritiva de um cotidiano. Boa prosa! Também desfrutei um bom bocado!
abatimbira 2 years ago 2
thanks rosa for sharing but i don't undes5rtand your language i'm sorry massimo
massimonesei 2 years ago
excelente video, grato******
mitsuoli 2 years ago 2
grazie Rosa for sharing..don't understand your language...sorry...ciao pier
piergiorgiovico 2 years ago
fantastico
gostei demais, 10* -
Carlinhos
Carlinhos271980 2 years ago 2