A história do nosso jipe.
Meu nome é David, sou de Fortaleza e moro em Canindé, no Sertão do Ceará. Esse vídeo vai para o Lata Velha, e conta a história do meu carro, um Toyota Bandeirante 1990.
O jipão era usado pelos padres da diocese de Itapipoca, aqui no Ceará, e foi vendido ao meu pai em 2001. Ele comprou o carro porque tem uma fazenda a 300km de Fortaleza mas acabou sendo o único carro da casa. Meu pai e minha mãe ficavam até meses na fazenda deles e o jipe passava por poucas e boas lá.
Eu praticamente aprendi a dirigir com o jipe. Era com ele que eu curtia a noite de Fortaleza, saía com meus amigos pros show de metal. A galera achava massa! Durante muitos anos foi o JIPE DO METAL, o carro em que eu ia pros show com a galera, pra praia, pra casa de amigos., pra todo lugar. Até os flanelinhas gostavam do jipe, nem cobravam nada. Até porque eles tinham pena.
Foi então que eu conheci a Sara. A gente ficou várias vezes e ela nunca aceitou meus pedidos de namoro. Até que ela me viu um dia passar de jipe e disse sim. A gente saía muito com o jipe, era o carro do namoro. Foram 5 anos de namoro e de jipe pra cima e pra baixo. O jipe foi aos poucos ficando conhecido em Fortaleza, porque eu saía muito e ele já estava muito detonado. Muita gente dizia que eu devia mandar o jipão pro Lata Velha, mas achava exagero, não consegui ver defeitos nele.
O jipe sempre foi tão especial pra mim e pra Sara que quando nos casamos meu pai resolveu dá-lo de presente e ele foi o nosso topo do bolo. Além disso foi o carro da fuga dos noivos. Colocaram umas latinhas nele, corações e escreveram "recém casados" no vidro de trás. Mas o vidro na verdade é um acrílico e a pasta de dente nunca saiu. Estamos eternamente "recém casados". Essa história foi engraçada porque até meses depois do nosso casamento as pessoas fotografavam e comentavam do jipe caindo aos pedaços com "recém casados" na traseira.
Depois do casamento nos mudamos para Canindé. Como a grana tava curta e muitos amigos vieram de longe para o casamento, nossa Lua de Mel foi no jipe. Viajamos para Serra, Sertão e Litoral com ele e com nossos amigos.
Quase toda semana nós dirigimos até Fortaleza e o jipe foi piorando. O maior problema é que não se fabricam mais jipes assim e as peças estão cada vez mais difíceis. Mais difícil ainda estava em andar nele. A Sara vive rasgando vestido no banco do carro, o teto dele rasgou, tem muita ferrugem e de vez em quando temos que empurrá-lo pela estrada. Até que um dia eu fui trabalhar e o jipe parou.
Dia 20 de novembro vamos completar 1 ano de casados e nós não queremos perder nosso jipão. Ele é muito importante pra mim, pro meu casamento e tenho certeza que faz parte da história de muita gente. Precisamos do Lata Velha!
Sou conhecida como Maria Ferrugem agora!
cinziarte 3 months ago