Lunário é uma série de imagens fotográficas feitas com a lua, aproveitando a luz que emana como se fosse uma matriz luminosa. Diria que são fotocaligrafias desenhadas com a própria luz, como uma espécie de fotografia gestual que escreve no ar uma dança de signos com a câmera. Desde tempos imemoriais a lua é um satélite associado à poesia, mas neste caso lembrei-me, especialmente, do poeta chinês Li-Po (701-762), da dinastia Tang, que, além de ter poemas lunares, morreu, segundo a lenda, embriagado ao tentar abraçar o reflexo da lua na água. Talvez a associação feita no subtítulo seja por essa condição de reflexos capturados, de ideogramas noturnos.
Adolfo Montejo Navas
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