Esse talvez tenha sido um dos dias mais improváveis que já vivi em relação ao ser humano que não conheço. Essa que vocês estão vendo e ouvindo se chama Érica, trabalha vendendo doces no trem para sustentar seus filhos, inclusive um deles está em sou colo, pois não tem com quem deixar.
Quando entrei no trem vi uma mulher gritar, ela estava revoltada porque um funcionário queria impedir que ela estivesse alí ganhando seu sustento. Virou bicho, afinal o alimento dos seus filhos dependia do que ela estivesse vendendo naquele momento.
Um senhor, o qual não me recordo o nome, tentou acalmar a Érica. Vendo que a voz dela era potente sugeriu que começasse a cantar para extravasar a raiva e foi isso que ela fez. Eu observava tudo de longe, mas com uma baita vontade de gravar ela cantando.
Me faltou coragem e não fui de imediato falar com ela. Algum tempo depois ela desceu do trem. Minha oportunidade havia escapado. Em seguida ela voltou ao trem e mais que rapidamente pedi a ela autorização para gravar ela cantando, ela disse que sim. Antes ouvi um pouco da história dela. Já havia passado por muitas bandas, mas se deparou com um empresário que iria ceder a ela uma chance por algo em troca que não vem ao caso, e ela não aceitou. Érica me pediu para mostrar ela cantando, assim eu o fiz e ela começou a chorar na minha frente e dos outros passageiros, já que nunca havia escutado sua voz. Esse momento eu não pude registrar, mas o ápice está aí!
Esse encontro aconteceu no trem sentido Bangu na estação de Madureira, Rio de Janeiro.
Maravilhoso, irmão! Só com percepção e sensibilidade é que realmente enxergamos o mundo, o coração pulsa e a arte "RONDA". Um abração!
Gori51 2 years ago