Em Março de 1985 a Comissão Política do CC do PCP criou um grupo de trabalho com o objectivo de se tentar criar um tema musical para a campanha eleitoral para as eleições legislativas desse ano e que desse identidade sonora às diversas manifestações, desde os carros de som até aos indicativos de tempos de antena.
Passou-se então à consulta do livro «Cancioneiro Popular Português» de Michel Giacometti (Círculo de Leitores. Lisboa, 1981). Piano em frente, lá se foi procurando e, uma semana decorrida, pelas três da manhã, a «Carvalhesa» deve ter soado pela primeira vez fora de Trás-os-Montes, de onde é natural. Em Julho desse ano gravou-se a primeira versão e editou-se um maxi-single de vinyl. Como se explica no folheto que acompanhou essa primeira edição, verificou-se, porém, ainda antes da gravação, um «caso». Poucos dias depois da escolha, tinha-se procurado nos discos dos «Arquivos Sonoros Portugueses», de Giacometti e Lopes-Graça, se lá estaria a «Carvalhesa» gravada em versão original e popular - e estava! Imediatamente se decidiu pedir a Giacometti uma cópia da gravação e ter-se-ia um excelente lado B do maxi-single. Contudo, ao ouvir o disco dos «Arquivos», verificou-se com grande perplexidade que a «Carvalhesa» que o gravador de Giacometti registara em Trás-os-Montes e ali se reproduzia não era manifestamente aquela cuja pauta se encontrava no livro e que se iria utilizar. O mistério seria decifrado dias mais tarde pelo próprio Giacometti.
Ou seja, a «Carvalhesa» é essencialmente uma dança, para a qual se conhecem duas melodias, mas que poderá mesmo ter sido dançada com outras entretanto perdidas. Face às duas versões, Giacometti entendeu ser mais interessante a recolhida por esse compositor alemão que fora o ausente cicerone da sua descoberta de Portugal. E, página 217 do «Cancioneiro, tema 166, lá ficaria a «Carvalhesa» recolhida por Kurt Schindler. O arranjo da «Carvalhesa» gravado em 1985 acompanhou a actividade política do PCP em sucessivas campanhas eleitorais, na Festa do «Avante!», cujos palcos sempre abre e encerra e dos quais se tornou verdadeiramente emblemática.
Texto de Ruben de Carvalho
tudo a curtir o trance dos comunas!!! hehe
boa malha
po ano tamx la! Avante! :D
sycklob 2 years ago 4
Já somos dois :D
sandrinho010 2 years ago 4