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Ucanha, uma freguesia com história

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Uploaded by on Nov 27, 2009

Ucanha, uma freguesia com história

Situada a cerca de 5 km de Tarouca, Ucanha encontra-se enquadrada ao longo da encosta que desce em direcção ao Rio Varosa ou Barosa, apresenta um vasto património histórico-cultural, cujo elemento matricial é constituído pela ponte fortificada.
O curso de água, acompanhado por salgueiros e amieiros, ampara uma ínsua entre a ponte de Ucanha e a ponte nova, a qual é desfrutada como praia fluvial.
Esta freguesia marca a entrada do antigo couto do Mosteiro de Salzedas, onde são conservadas ainda dentro do seu limite as ruínas da Abadia Velha de Salzedas.
Ucanha é uma vila com uma disposição estruturada por uma única via, denominada por Rua Principal ou Rua Direita. Perpendicular ao rio, com uma extensão aproximada de 500 m, a sua largura oscila entre os 4 e os 10 m, ceifada transversalmente por duas estradas municipais, sendo composta por três troços.
O primeiro fragmento é nomeado Fundo da Rua ou Rua da Torre, tendo como ponto de partida a ponte e respectiva torre, junto da qual se traça um largo. A via principal bifurca na direcção da Igreja Matriz, que se encontra abrigada pelo adro murado e pelo cemitério, destacando-se com a torre sineira.
O segundo troço, chamado Meio da Rua, equivale à Rua do Pelourinho ou Rua da Senhora da Ajuda. Trata-se de uma zona onde o espaço é constituído por dois largos, o Largo do Pelourinho, onde se verifica o pelourinho ao centro, junto à Casa da Câmara e Cadeia, e o Largo da Senhora da Ajuda, ocupado pela Capela Nossa Senhora da Ajuda, e respectivas travessas.
O terceiro troço, o Cima da Rua ou Rua de Santo António, definido como sendo o fim da Rua / Vila, encontra-se marcado pela Capela de Santo António.
No seu conjunto, a vila é interrompida por travessas, pequenos becos e quelhas de acesso aos campos de cultivo.
As casas, essencialmente unifamiliares, ornamentam-se de varandas em madeira, com o realce do vermelho, azul e verde nas suas pinturas. Com escadas exteriores apresentam quase sempre dois pisos, cujo piso térreo é utilizado para as lojas, destinado essencialmente para uso agrícola, enquanto o segundo piso se destina à habitação.

Torre e Ponte fortificada

Os primeiros povos que se instalaram nesta vila foram os romanos, que aproveitando-se das terras férteis do vale do Varosa, criaram pequenas explorações agrícolas.
Séculos mais tarde, o desenvolvimento da vila de Ucanha foi acompanhado pelos monges da Ordem de Cister, tendo ficado como seu testemunho a ponte fortificada e a respectiva torre de portagem dos séculos XII/XV que representam, actualmente, o ex-líbris da freguesia, tendo servido, naquela época, para proteger a entrada nas terras do Mosteiro de Salzedas.
A Torre de planta quadrada e com porta de acesso bem acima do nível do chão, tem vinte metros de altura e dez de cada lado da base, onde se encontra a seguinte inscrição "Esta obra mandou fazer D. Fernando, abade de Salzedas, em 1465".
No interior, divide-se em três pavimentos: no primeiro apenas uma fresta, no segundo em duas das faces abrem-se duas janelas geminadas e no último salientam-se quatro mata-cães, apoiados em cachorros.

Dr. José Leite de Vasconcelos
Ucanha, 7 de Julho de 1858 — Lisboa, 17 de Maio de 1941

Filólogo e um dos principais precursores da etnologia portuguesa, nasceu em 1858, na freguesia de Ucanha. Muito cedo mostrou uma especial vocação para o estudo dos costumes e hábitos dos povos mas começou por estudar medicina, tendo-se formado na Faculdade do Porto em 1886. Dois anos mais tarde, depois de ter exercido funções de subdelegado de saúde, médico municipal e presidente da Junta Escolar no Cadaval, decide abandonar a carreira médica e dedicar-se ao estudo das suas ciências predilectas: Linguística, Arqueologia e Etnologia.
Em 1888 instala-se em Lisboa onde começa por trabalhar como professor no Liceu Central. Nesse mesmo ano entra para a Biblioteca Nacional e uns meses mais tarde ocupa o cargo de Conservador, que exerce até 1911. Entretanto, prossegue os seus estudos em Paris, tirando um curso de Filologia Românica (1889-1901). Em 1893, cria e dirige o Museu Etnográfico e no ano seguinte lança as revistas O Arqueólogo Português (1884) e Revista Lusitana (1887). Paralelamente ensina Filologia Clássica, Filologia Românica, Arqueologia e Epigrafia na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1929 afasta-se da direcção do Museu que ajudara a criar, tornando-se seu director honorário.
Morreu em 1941, com 83 anos de idade.

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