Vive em Hollywood. Veio a Lisboa passar o Natal, o que não fazia há dez anos. Terminou a carreira há um ano. Converteu-se ao islamismo. Passou a chamar-se Faisal, que significa a separação entre o bem e o mal. O mal que parece, com o seu visual; o bem que é, simples e sincero. Não prevê cortar o cabelo. Isso, se calhar, já não seria Abel Xavier.
Nem a propósito, nesta altura do Natal, vem à memória uma das mais imaginativas alcunhas que Abel Xavier já terá recebido. Jogava ele em Inglaterra e um comentador chamou-lhe Nightmare version of Santa Claus, um pai Natal em versão de pesadelo.
«Lembro-me disso. Tenho poder de encaixe para essas coisas. Quando alguém, como eu, tem convicções, tem de saber lidar com o que os outros pensam, sem que isso me afecte ou faça mudar», garante, sorrindo, Abel Xavier, dentro de um casaco que parecem tiras de cabedal entrelaçadas, com a ponta do cabelo amarela, pulseiras, grandes óculos de sol no Dezembro de Lisboa, um impressionante carro estacionado em frente ao hotel onde conversou com A BOLA. Um carro tão grande que não estaciona, aterra.
Terminou a carreira há um ano e não tem aparecido. Andou em viagens pelo Mundo. A trabalhar. «Fui ver a pobreza com os meus olhos. Andei por África. Particularmente Angola e Moçambique. Tenho andado a trabalhar num projecto...», adianta.
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