SÃO PAULO, SENHORA MODERNA - Eduardo de Paula Barreto

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Uploaded by on Jan 11, 2011

'SÃO PAULO, SENHORA MODERNA'




Mãe é aquela que cria, não a que apenas dá à luz

Essa cidade é mãe de tantos que acolheu

Os anos passaram, as coisas mudaram

Mas ela nunca envelheceu.




Onde eu subia nas árvores para roubar laranjas

Como um pequeno infrator

Hoje escalo as maiores alturas

Espremido num elevador.




Onde crescia a grama teimosa

E o mato era bem alto

Hoje existem calçadas charmosas

E um escuro tapete de asfalto.




São Paulo cresceu, se desenvolveu

Mas manteve a sua essência

E apesar da sua avançada idade

Tornou-se importante referência

E o povo acolhido por ela

Comemora seu aniversário com festa e reverência.




Agora que completa 450 anos

Com toda grandeza que tem

Permita-me então me curvar aos seus pés

E lhe dar os meus sinceros parabéns.




Dizer que não existem problemas

Seria uma afirmação mentirosa

Mas pensar em você representa ir ao jardim

Desprezar os espinhos e fitar só as rosas.




Cidade tão tolerante

Que abriga sem restrições

Pessoas de todos os cantos

Raças, cores, ideologias e religiões.




Cada bairro tem sua própria história

Nessa cidade não existe tédio

Em poucos minutos se vai à Europa

Ásia e até ao Oriente Médio.




Por mais curioso que pareça

Ela cresce, mas preserva suas raízes

Se formos para Parelheiros

Lá encontraremos até índios felizes.




Olhando dos prédios mais altos

São Paulo se perde no horizonte

Cruza rios, córregos, lagos

E ultrapassa os inúmeros montes.




O privilégio é tão grande

Que temos até uma porta para o céu

Ela está sempre aberta esperando a gente entrar

Basta para isso subir as trilhas ou ruas

E chegar ao pico do Jaraguá.




Apesar do trabalho árduo

Esse povo é feliz

Ele anda pelas ruas da cidade

Sem saber se está em Londres, Tókio ou Paris.




A velocidade do seu crescimento

Não a deixa descansar

Seu viver é alucinante

Pois o futuro não pode esperar.




Quem me dera ter braços gigantes

Para fazê-la parar

Nem que fosse por um instante

Só para poder lhe abraçar.




Eduardo de Paula Barreto

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