Minha primeira montanha acima dos 3.000 metros foi o Aconcágua com seus 6.962 metros
O Aconcágua pra mim foi o inicio de tudo, o inicio da minha relação alta montanha, o contato diferente com o montanhismo, povos e costumes. As dificuldades são visíveis e inevitáveis, a montanha se revela a cada fração de segundo, cada dia um desafio e uma tarefa a se cumprir. Minha função de fotografar e filmar exigia esforços às vezes sobre-humanos. Passar frio, falta de ar e dormir mal, são coisas de alta montanha e que estamos sujeitos se quisermos êxito. Naquele lugar inóspito, no ar rarefeito, nos abismos de rocha, nas trilhas íngremes. Minha função falava mais alto, me arriscava e me desgastava, com o objetivo de registrar as mais belas imagens dos Andes Centrais.
Acordar às 5h da manha, com temperaturas de até -16C, e por ali ficar, até que os primeiros raios de sol iluminassem as cristas das montanhas e por fim, registrar o amanhecer nas montanhas Andinas. Foram momentos únicos de emoção e contemplação. Sair da Mantiqueira, nossa maior cordilheira de montanhas do Brasil e para lá, na maior cordilheira do mundo, foi abrir horizontes e mostrar, que as montanhas foram feitas pra ser escaladas e apreciadas com respeito e consciência.
Minha maior experiência foi aprender que com as pessoas certas e com o objetivo focado, podemos chegar além do imaginado!
Eu fui convidado para essa Expedição da Aventura e Ação, através de um e-mail, enviado pelo Ricardo Contel "editor chefe da revista Aventura e Ação" dois dias antes da partida. Realizar uma Expedição pro Aconcágua, ficar 30 dias fora de casa e ter que organizar e providenciar todo equipamento áudio visual em dois dias, foi sem duvida, um dos maiores desafios da viajem.
Com a ajuda dos amigos, dos companheiros de montanha, foi possível viabilizar tudo e por fim, me juntar ao grupo.
Quando eu recebi o e-mail, fiquei por alguns minutos sem acreditar no que estava escrito ali, mas fazer uma alta montanha, sempre foi meu sonho e naquele momento isso acabava de se tornar real, uma oportunidade única talvez. Oportunidades como essa, não aparece por engano e o melhor caminho é abraçá-la.
Foram distintas as expectativas, desde toda preparação até o sucesso da expedição.
Eu conhecia apenas o Rodolfo Guedes e Ricardo Contel, estava me jogando em uma balada de montanha com pessoas que pouco me conhecia, mas que no passar dos dias se tornaram grandes companheiros. Lá na montanha a cada dia é sem duvida uma grande expectativa, expectativa de sabermos como será o dia, frio, quente, com vento, sem vento, nossa aclimatação, bem estar, a preocupação com o outro e vários fatores que nos fazem pensar e refletir a todo o momento.
Mas, com toda certeza, a maior de todas as expectativas é a do dia do cume. Uma noite mal dormida, ansiedade demais, esses são fatores que desgastam muito, mas fundamentais para nos dar coragem de enfrentar nosso objetivo. Todas as expectativas foram vividas e administradas com sucesso de descontração.
Os meus dois maiores desafios foram a partir dos 5 mil metros. Prender a respiração ofegante para registrar com firmeza e qualidade as melhores imagens da montanha mais alta da América. Prender a respiração numa situação onde pouco se tem ar é muito difícil, mas é fundamental na qualidade do material.
Carregar todo o equipamento de fotografia e filmagem, muitas vezes pendurados pelo corpo, expostos ao frio e ao vento, nos coloca em uma situação delicada, onde qualquer vacilo, os danos podem ser irreparáveis.
A Expedição Aventura e Ação!
Desde a minha saída de Baependi, no dia 22 de Dezembro até a chegada em Mendonza dia 26 de Dezembro, foram exatamente 4 dias e 3.641 km rodados. Passando por diversas cidades e diferentes formações geográficas. Desde o inicio todas as imagens eram registradas e documentadas, nada fugia do olhar das câmeras, ou melhor, dos meus olhares!!!
Após um período de 4 dias, aclimatando nosso corpo a altitude, na região de Vallecitos, Cordon Del Plata, finalmente partimos para Penitentes, ponto inicial da caminhada a partir de Punta de Vacas. Daí pra frente eu tive que adaptar todo meu equipamento para situação e configuração do local. Eu carregava meu peso pessoal, mais os equipamentos de imagem, que ficavam pendurados nas alças da mochila facilitando meu acesso.
Caminhar naquele deserto de altitude com temperaturas entorno dos 40Cº positivos, não foi nada fácil. A cada dia que se passava, eu me sentia aliviado, mas ao mesmo tempo prejudicado. Pois o calor melhorava, mas a dificuldade de prender a respiração para produzir as imagens, aumentava.
Agradeço a todos os integrantes da Expedição Aventura e Ação pelos momentos vividos naquela montanha. Valeu muito galera!!!
Sensacional!!!
MestreKarin 1 year ago 3
Inspirador, parabéns pelas ótimas férias no topo do hemisfério sul!
Tuvaluano 2 years ago